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Aplicativos ajudam cegos na rotina diária

Um aplicativo permite que voluntário "empreste" sua visão

Carlos é deficiente visual e faz uso de aplicativos em seu celular para auxilià-lo no dia a dia
Carlos é deficiente visual e faz uso de aplicativos em seu celular para auxilià-lo no dia a dia
Foto: Marcelo Prest

Totalmente cego desde os 18 anos, Carlos se vira muito bem. Consegue escolher suas roupas, trocar mensagens de WhatsApp, ler correspondências, e-mails e até cardápios de restaurantes. Pode pegar um ônibus para ir aonde quiser, como às compras, por exemplo. Isso tudo sozinho. Quer dizer, sozinho não, pois ele tem a companhia inseparável do celular.

A tecnologia vem possibilitando uma vida praticamente normal a pessoas que não têm visão nenhuma ou enxergam pouco. Como Carlos, que vive conectado e usa diversos aplicativos na sua rotina diária.

“A tecnologia é essencial no meu dia a dia e me permite ter uma autonomia de 100%. Acesso redes sociais, pago minhas contas e navego pela Internet”, conta Carlos Alexandre Nunes dos Santos, 32 anos, que de tão interessado na área acabou se tornando um consultor em tecnologia para acessibilidade.

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Ele já nasceu cego de um olho, mas uma infecção a um colírio para tratar glaucoma acabou afetando a visão do outro olho quando tinha 18 anos. Desde então, a ajuda para realizar coisas básicas está na palma da mão dele.

Na hora de pegar um ônibus, por exemplo. “Uso um aplicativo chamado Moovit que tem muitas funções bacanas. Posso preparar a rota e deixar o fone no ouvido. Três pontos antes do destino, ele começa a avisar. E quando estou a um ponto de distância, já pede que eu dê o sinal para descer”, cita Carlos.

Um outro aplicativo reproduz em voz alta tudo o que há na tela do celular, como mensagens, uma página na Internet, e-mails recebidos... “É uma voz sintetizada. Há vários modelos de vozes, das similares a seres humanos às mais robotizados”, diz ele.

SEM LUPA

Elizabeth Mutz também usa esse recurso. Ela, que tem baixa visão, concorda que a vida se tornou mais fácil com o avanço da tecnologia. “Antes, eu precisava carregar uma lupa no bolso. Agora, levo o celular e consigo fazer muita coisa, como contar dinheiro, procurar documentos”, comenta ela, que é a atual presidente do Instituto Braile, em Vitória.

O auxílio pode estar em outra pessoa do outro lado da tela. Alguém sem problemas de vista pode “emprestar” seus olhos para um cego identificar a cor de uma camisa no armário, por exemplo.

A tecnologia é essencial no meu dia a dia e me permite ter uma autonomia de 100%. Acesso redes sociais, pago minhas contas e navego pela Internet
Carlos Alexandre Nunes, consultor

O “Be my eyes” existe desde 2012 e já tem uma rede com milhares de voluntários cadastrados prontos para dar essa ajuda por meio de uma simples videochamada.

“Uso bastante. Por exemplo, quando recebo uma correspondência e não há ninguém próximo para ler para mim. Recorro ao aplicativo, e uma pessoa atende e me ajuda. O número de usuários ainda é menor do que o de voluntários por falta de informação mesmo”, observa Carlos.

OS APPS

TalkBack e Voice Over

O TalkBack é um software leitor de tela para celulares Android, um recurso de acessibilidade que ajuda pessoas com deficiência visual a selecionarem as opções presentes em menus do smartphone. O suporte de voz fala em voz alta quais são as alternativas na tela. A versão para iOS é o Voice Over. 

Zing

Também disponível para aparelhos Android, esse app permite que pessoas cegas ou com baixa visão reconheçam cédulas de dinheiro. E mais: faz a leitura de cardápios ou cartazes. 

Moovit

O app, disponível para iOS e Android, facilita o acesso dos cegos ao transporte público, permitindo que eles planejem o itinerário, com alertas que avisam quando chegam ao destino. 

Be my eyes

O app permite que pessoas que enxergam ajudem cegos a resolver problemas pontuais, como ler um rótulo, uma conta ou escolher uma camisa, tudo por uma videochamada. 

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