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"Há casais que passam até dez meses sem fazer sexo"

Sexóloga abre o jogo sobre a vida a dois no casamento na nova temporada de seu programa, o Segundas Intenções, na Rádio Litoral FM

Virgínia Pelles apresenta programa na Rádio Litoral FM
Virgínia Pelles apresenta programa na Rádio Litoral FM
Foto: litoral/divulgação

O que leva duas pessoas que se amam e moram debaixo do mesmo teto, que dormem na mesma cama, inclusive, a passarem semanas e até meses sem fazer sexo? Os motivos são vários, mas o desfecho costuma ser um só para os casais que vivem essa realidade, como destaca a sexóloga Virgínia Pelles.

“Já atendi casais que estavam há mais de dez meses sem relação sexual e achavam normal. Isso cria um abismo que pode ser difícil de reverter. Casamento sem sexo, se não for por motivo de doença, não sobrevive”, revela ela, que vai escancarar tudo sobre o sexo no casamento na próxima temporada do seu programa na Rádio Litoral FM (102.3 na Grande Vitória). O “Segundas Intenções” vai ao ar toda segunda-feira, às 20h.

Como é o “Segundas Intenções”?

O programa estreou no início de fevereiro e vai ao ar semanalmente, às segundas-feiras, entre 20h e 21h. É aberto à participação dos ouvintes, que podem enviar perguntas e comentários pelo WhatsApp ou na página da Rádio Litoral no Facebook, onde é transmitido ao vivo também. Deu tão certo que o programa, que faria uma pausa em abril e só retornaria em junho, vai continuar este mês.

Sobre o que vocês falam?

Já falamos sobre vários temas. Sobre ejaculação precoce, sobre orgasmo. Depois sobre posições sexuais, por exemplo, quais as melhores para os homens e para as mulheres. Um dos últimos falou sobre traumas e bloqueios relacionados à sexualidade. E o próximo vai ser sobre casamento, principalmente sobre os desafios depois da cerimônia. Porque muitos casais só pensam na festa, no vestido, e se esquecem do relacionamento.

O sexo não deveria ser um problema no casamento. Por que isso acontece?

Tem um desgaste da convivência diária que pode esfriar um pouco a relação. Muitos casais ficam com preguiça de fazer sexo, com um desânimo mesmo. Mas sabemos que há outros fatores. Se há ausência de uma das partes na colaboração com cuidados na casa, já pode atrapalhar, por exemplo.

De quanto sexo um casamento precisa para ficar tudo bem?

Transar duas vezes por mês é o mínimo do mínimo. Mas já atendi casais que estavam mais de dez meses sem ter relação e achavam normal. Outro dia, fiz uma enquete no meu Instagram, e mais de 70% responderam que acham normal um relacionamento sem vida sexual. Mas isso cria um abismo que pode ser difícil de reverter depois. Casamento sem sexo, se não for por motivo de doença, não sobrevive. Escuto muito pessoas dizendo que procuraram tanto, mas o outro negou tanto que perderam o interesse. Fica uma ferida. E um dos dois acaba indo para a masturbação, para a pornografia ou até para a traição, criando um envolvimento físico ou emocional com um terceiro. Nada disso favorece a relação.

Filhos podem abalar a intimidade sexual do casal?

A grande maioria relata que sim. Mulheres numa parcela maior até por questões hormonais. Elas têm muito prazer em estar com a criança e se esquecem do marido mesmo. Ele fica de lado.

Mas se é natural, como elas deveriam agir?

A mulher deve tentar mudar o foco, ser grata pela maternidade. Vale lembrar que há mães com filhos doentes, problemas motores ou psíquicos. Cuidar deles gera um cansaço gigantesco, e mesmo assim, às vezes, elas estão mais satisfeitas e dispostas para a relação do que mães com filhos que não têm problemas do tipo. Elas têm que procurar ver o filho como sinônimo de prazer e não de cansaço. Ou vão ficar com essa desculpa a vida inteira. Porque no primeiro ano é a amamentação. No segundo, o desfralde, que é outra fase complicada. Em seguida, a época da entrada na escola... E a criança cresce, casa e vai embora, deixando dois estranhos no ninho. Quando um dos dois está disposto a mudar, se reinventar, tem salvação. Escuto casais dizendo ‘eu sou assim” ou “não tem necessidade de sexo”. Mas o sexo é um dos pilares do casamento. Quando uma das partes não entende isso, há um desequilíbrio. Eles precisam se comunicar. E há outros recursos, como a terapia.

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