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"Maio roxo" alerta para as doenças do intestino

Mês chama a atenção para importância do diagnóstico precoce

Dor abdominal é um sinal que não pode ser negligenciado
Dor abdominal é um sinal que não pode ser negligenciado
Foto: Pixabay

O universitário João Lucas, 25 anos, passou pelo menos três anos de sua vida, na adolescência, sem saber a causa de seu sofrimento, o que penalizava toda a família. “Ele tinha muitas cólicas, diarreia, anemia. Não se desenvolvia. Era tão magrinho que, aos 16 anos, parecia uma criança de 10”, conta a mãe do jovem, a servidora pública Sirlene Dias Lima Monteiro, 46 anos, que acompanhou toda essa agonia.

A razão para tamanho desconforto estava no intestino. Mas ele demorou para descobrir isso. “Os médicos diziam que era verme, por exemplo. Até que procuramos um gastroenterologista, que deu o diagnóstico, que o meu filho tem a doença de Crohn”, diz Sirlene.

A doença de Crohn é um dos problemas intestinais mais comuns na população. Mas muita gente, como o João Lucas, custa a começar o tratamento por falta de informação. Por isso, foi definido o mês de maio para a conscientização sobre as chamadas Doenças Inflamatórias Intestinais (DII).

A campanha Maio Roxo é realizada pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), com diversas ações sobre o tema em todo o país.

CASOS

No Brasil, as DII afetam 13,25 em cada 100 mil habitantes, segundo dados apresentados no I Congresso Brasileiro de Doenças Inflamatórias no Brasil (GEDIIB), realizado em abril, em Campinas (SP). Desses casos, 53,83% são de doença de Crohn, e 46,16%, de retocolite ulcerativa.

Doenças que têm aumentado sua incidência no país, segundo o gastroenterologista Felipe Bertollo. E apesar de esses males não terem uma causa comprovada, eles estão relacionados aos hábitos de vida modernos. “Essas doenças têm a ver com uma alimentação mais industrializada, rica em gordura”, diz o médico.

A herediariedade e até o uso excessivo de antibióticos na infância também são fatores de risco para as DII, que não têm cura e podem causar inúmeras complicações, das mais simples às mais graves, aos pacientes que adiam o início do tratamento.

São vários os sintomas, e eles variam de uma pessoa para a outra, de acordo com Ana Paula Hamer Sousa, gastroenterologista e professora da Emescam que atua no ambulatório de doenças inflamatórias intestinais da Santa Casa de Misericórdia, em Vitória.

“Não dá para achar que todo paciente que tem doença inflamatória intestinal vai ter a mesma manifestação. Depende da região que a doença afeta e da intensidade. Ela pode causar uma anemia, e como a pessoa se sente sempre desanimada, cansada, ela acha que é outra coisa. Há casos de sintomas como alterações nos olhos e na pele também”, cita.

Em geral, os sinais mais comuns de DII são diarreia que dura mais de três semanas, associada com perda de peso e anemia. E quando eles surgem, é importante procurar ajuda o quanto antes. “Muitos pacientes não procuram um médico logo por vergonha. Mas já tive paciente que sofreu por até dois anos, passando por vários médicos e ninguém descobriu o que era”, diz a médica.

COMPLICAÇÕES 

“A falta de um diagnóstico cedo aumenta a chance de ter complicações da doença, como fechar o intestino, criar fístula na pele, causar perda de peso, desnutrição, infecção por outras doenças, entre outras. Quanto mais tarde o paciente ter o diagnóstico, mais irá lidar com essas complicações e terá menos chance de o remédio fazer efeito”, observa Bertollo.

O Maio Roxo serve para alertar a população sobre essas doenças. “É preciso conscientizar as pessoas sobre o que é doença inflamatória intestinal. Muita gente nunca ouviu falar”, ressalta Ana Paula.

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