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Aparelho ajuda criança de 5 anos a dar os primeiros passos no ES

Espécie de andador foi feito para menina com paralisia cerebral

A pequena Aylla usou um aparelho para andar em um projeto feito por alunos da UVV
A pequena Aylla usou um aparelho para andar em um projeto feito por alunos da UVV
Foto: Carlos Alberto Silva

Aylla é uma menina esperta, curiosa e muito vaidosa, segundo seus pais. Uma única dificuldade, porém, a atrapalha a fazer o que a maioria das crianças faz. Aylla não consegue andar por causa que uma paralisia cerebral que teve ao nascer.

Foi só perto dos 5 anos de idade que ela pôde dar os primeiros passinhos. Isso graças a um equipamento que simula um andador, feito sob medida para ela.

Ficar de pé pela primeira vez foi uma emoção para a menina, para a família e para toda a equipe que a acompanhava e que tornou essa ação possível.

“Foi mesmo muito emocionante! No início, ela teve um pouco de medo, de vergonha. Mas conseguiu”, conta a mãe de Aylla, Cleonice Assunção da Silva, de 23 anos.

 

 

Até chegar a esse dia especial foi um longo caminho. Aylla é uma das pacientes atendidas na policlínica da Universidade de Vila Velha (UVV). Ela já fazia fisioterapia no local havia um ano quando foi chamada para participar de um projeto interdisciplinar, envolvendo alunos dos cursos de Fisioterapia e de Design de Produto.

De acordo com a professora do curso de Fisioterapia Ana Paula Bortolaia Vieira, orientadora do projeto, a ideia era desenvolver um protótipo que permitisse a adequação postural e a funcionalidade da criança. “A Aylla é muito inteligente, tem a parte cognitiva boa, mas teve seus movimentos prejudicados. Ela não consegue ficar de pé. Então, precisávamos de algo que fosse personalizado”, explica.

Foram necessários vários testes para o ajuste sair perfeito. “Fomos tirando medidas, adequando as peças... Enquanto ela continuava na terapia até que o aparelho fosse finalizado para ela andar”.

Equipamentos como esse já existem no mercado, segundo Ana Paula. Mas são importados e caros. Para conseguir montar o aparelho que Aylla usou, a equipe fez uma vaquinha on-line.

Preço

“Essa proposta já existe. Mas não são aparelhos acessíveis. Custam em torno de R$ 30 mil. Dependendo do nível de comprometimento da pessoa, podem ser necessários mais acessórios para que haja mais estabilidade. E isso vai encarecendo o produto. O nosso tem material inferior e custou R$ 1,5 mil. Mas atendeu a Aylla na função de que ela precisava”.

O fato é que ficar de pé com o andador foi um divisor de águas para a menina, que conseguiu caminhar sozinha por um corredor inteiro. “Os resultados foram muito bons! A Aylla teve uma evolução enorme. Ela melhorou a postura, melhorou a passada, ganhou força muscular e massa óssea. Ela cresceu pelo menos quatro centímetros”, comemorou Amanda Cristina Fagundes Lima, que já está formada em Fisioterapia e foi uma das autoras do trabalho.

A ideia inicial, segundo Amanda, era ter dois equipamentos, um para ser usado na clínica e outro, em casa. “Não tivemos tempo para criar outro. Mas estimulamos os pais a continuarem com os exercícios em casa, que ficassem pelo menos uma hora por dia deixando-a de pé”.

Confiança

Os benefícios foram muito além da parte física. “A Aylla ganhou mais confiança. Os pais sempre contavam como ela passou a ser mais ativa, tanto em casa quanto na escola. Passou a brincar mais, interagir mais com outras crianças, a querer subir nos móveis”, conta a fisioterapeuta.

O andador foi elaborado para ser seguro, confortável, eficiente. Mas também atrativo para a criança, como destacou o professor e coordenador do curso de Design Sérgio Ronaldo Michalovzkey.

“Eram duas áreas diferentes de conhecimento fazendo um mesmo projeto final. Cada qual com um foco, mas com um objetivo em comum, que era fazer um aparelho para uma criança com uma deficiência. Ele tem uma função prática, mas era para uma criança! Tinha que ser interessante para ela! Por isso, o lugar onde ela colocava os pés tinha um desenho da personagem Peppa Pig. E os cintos que a prendiam pelos quadris e pelo tórax eram da cor rosa”, disse o professor.

Agora, a intenção é elaborar a versão 2.0 do aparelho, projeto que será tocado por outra turma de alunos. E se tudo der certo, Aylla poderá levar um só para ela usar em casa.

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