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Oito motivos para você fazer exercícios

Pode ser qualquer atividade, como a dança, que vem ajudando a influenciadora digital Maira Miranda a lidar com a depressão

Maira Miranda, 35 anos, influenciadora digital, encontrou na dança o caminho para tratar a depressão
Maira Miranda, 35 anos, influenciadora digital, encontrou na dança o caminho para tratar a depressão
Foto: Vitor Jubini

Muita gente começa uma atividade física pensando em perder peso, entrar em forma, sem saber que ela pode fazer um bem muito maior. De fato, o exercício ajuda a emagrecer. Mas as vantagens não ficam restritos na aparência.

Exercitar-se de forma rotineira melhora a saúde em geral, física e mental, não importa qual modalidade. Pode te deixar menos gripado e mais bem disposto, com memória afiada, menos tenso para encarar os problemas do dia a dia, dormindo de forma mais tranquila. Há tantos benefícios que eles vão se refletir lá na sua velhice.

“O exercício regular promove uma harmonização nos hormônios e neurotransmissores ligados ao bem-estar, que ficam em um nível ótimo”, diz o médico neurologista Leonardo Maciel.

Um dia ativo propicia uma boa noite de descanso, acredite. “Já é provado que fazer atividade regularmente, princialmente de dia, ajuda na manutenção do sono saudável. Tem a ver com a produção de um neurotransmissor, a dopamina, que gera a sensação de prazer. Mas o ideal é não deixar para praticar perto da hora de ir dormir, o que não é legal para o início do sono”, afirma o médico.

Mecanismo

O mesmo mecanismo explica por que fazer exercício deixa as pessoas mais de bem com a vida, menos ansiosas e depressivas.

Em meio a uma crise de depressão, a influenciadora digital Maira Miranda, 35 anos, resolveu dar um passo importante, literalmente. Foi nas aulas de dança que ela encontrou seu equilíbrio, de corpo e mente. “Lembrei que tive uma experiência anos atrás com a dança contemporânea. E resolvi buscar isso. É lá que me encontro comigo mesma, que olho para dentro de mim. E faço de forma intensa. Saio suada da aula”, conta ela, que é dona do perfil Mãe no Mundo, no Instagram.

A dança não é o único recurso de Maira na luta contra essa doença: “A depressão exige um tratamento completo, muitas vezes requer terapia, medicamento. Mas também requer mudanças no estilo de vida para buscar momentos de felicidade e harmonia consigo mesmo. E a dança tem um papel muito importante nisso”.

Diretora da escola de dança onde Maira se matriculou, a bailarina Karla Parmagnani, já ouviu muitos relatos como esse. Como da aluna que teve um AVC e se recupera com os movimentos da dança.

“Ela faz vários tratamentos, mas desde que entrou para a aula de flamenco, a autoestima dela melhorou tanto que ela larga a muleta e vai mancando para a sala de aula. Alguém já disse que quem dança é mais feliz. Dançar é mais que uma atividade física. Melhora estado de ânimo, potencializa a concentração, é bom para a socialização... É um divã, sabe? Porque fortalece as emoções, as conexões, é divertido”, destaca.

Doenças

Várias doenças, na verdade, podem ser prevenidas com uma boa dose de exercício diária. E uma dose pequena já basta, segundo o personal trainer Jhonny Costa.

“Tanto a Organização Mundial de Saúde quanto o Colégio Americano de Medicina recomendam que a pessoa faça 150 minutos de atividade física por semana. Não é preciso fazer todos os dias. Três vezes por semana já dá resultados”, observa ele.

Pode ser musculação, corrida, caminhada, pilates... “Para quem tem problemas com diabetes, por exemplo, o exercício, seja qual for, aumenta a capacidade da insulina de absorver a glicose no sangue. A atividade física também reduz a pressão arterial em hipertensos. E libera enzimas que fortalecem a parede das artérias, reduzindo riscos de AVC, derrames cerebral e infarto”.

Jhonny lembra, porém, que se exercitar demais também não é o certo. “O excesso do exercício faz mal tanto quanto o sedentarismo. Muitas horas de academia seguidas ou pedalando demais pode causar problemas cardiovasculares, além de outras doenças”.

Aposentada de 71 anos trocou remédios pelas aulas de pilates

Dona Maria das Graças Mendes, de 71 anos, diiz que não sente mais dores no corpo: pilates em pequenas doses
Dona Maria das Graças Mendes, de 71 anos, diiz que não sente mais dores no corpo: pilates em pequenas doses
Foto: Merinha Braga

Dona Maria das Graças Mandes não tinha vontade de fazer quase nada. Sentia muitas dores no corpo, o que a deixava em um desânimo só. “Tinha dor na cervical, na lombar, enxaquecas. Eu andava curvada. Quando eu viajava de carro, ficava toda ‘quebrada’”, conta a aposentada de 71 anos.

Exercício era algo impensável para ela naquela época, coisa de dois anos atrás. “Antes eu até caminhava de vez em quando, mas fui parando... E as dores foram chegando. Tomava vários medicamentos diferentes. Era anti-inflamatório, analgésico. Tinha dias em que chegava a tomar oito comprimidos”.

O que dona Graça não sabia era que o remédio para o problema dela era outro: exercício. E ela só descobriu isso porque resolveu ouvir um conselho da filha e se matricular no pilates.

No início, foi difícil encarar as aulas. “Eu morria de medo dos exercícios. Não conseguia fazer quase nada, como sentar na bola do pilates, elevar o quadril... Achava que ia cair. Aí meu neto nasceu e quase desisti de fazer”.

Animação

Felizmente, a aposentada continuou firme e forte na atividade. Agora, ela não consegue mais viver sem. “Não tomo mais remédio nenhum. Não sinto dor. No máximo, quando tenho uma dorzinha na lombar, vou para a aula e melhoro logo. A gente sai animada. Outro dia, fiz uma viagem de carro e cheguei superbem”, comenta a idosa.

Professora de pilates, Merinha Braga diz que precisou aplicar o exercício de que dona Graça precisava em doses homeopáticas.

“Ela estava sedentária havia muito tempo. O corpo estava rígido demais, acima do peso. Tudo que ela fazia, gerava um cansaço muito grande. Comecei com micromovimentos para fazer com que ela fosse perdendo o medo de se movimentar. Ia conduzindo os movimentos dela. Isso junto com técnicas de respiração. Tudo com respeito ao corpo, negociando com o cérebro, de forma suave. E ela foi gostando e melhorando”, destaca.

Merinha se orgulha de ver o resultado do trabalho na aluna, que se livrou de remédios, emagreceu, ganhou disposição, força. “Sempre digo que o objetivo de emagrecer não deve ser o primeiro numa atividade física. Pois é um objetivo muito fraco, fácil de gerar frustração. O propósito tem que ser envelhecer bem, dormir bem, ter disposição. É importante mudar a forma de ver as coisas, e a atividade física vai funcionar muito bem”, diz a professora.

Não há recurso mais poderoso do que o exercício, segundo ela. “A gente é igual uma Ferrari. Mas se não se mexer, vira um fusquinha, com pouca capacidade. O exercício turbina o ser humano”.

 

 

Depois de alerta em exames, ela foi malhar

Dálete Ester Bonaparte, 19 anos, recepcionista, começou a malhar depois que descobriu que estava com colesterol alto
Dálete Ester Bonaparte, 19 anos, recepcionista, começou a malhar depois que descobriu que estava com colesterol alto
Foto: Karoline Moreira

Dálete Ester descobriu que estava com colesterol alto. Mesmo trabalhando em uma academia, não se exercitava. Agora, ela fica depois do expediente para malhar e colocar a saúde em dia. 

“Fiz um exame de sangue e vi que estava com colesterol e triglicerídeos altos. No mesmo dia, comecei a fazer musculação e mudei minha dieta”, comentou a jovem de 19 anos, na foto com o professor Jhonny Costa.

Os benefícios

Ajuda a diminuir e controlar o peso - Qualquer atividade, até mesmo uma leve caminhada, promove queima calórica. Se for feita regularmente, os ganhos são certos

Ajuda a tratar a depressão - Exercício regula os níveis de hormônios e neurotransmissores ligados ao bem-estar, à felicidade, como a serotonina, a dopamina, sendo indicado para ajudar no tratamento de transtornos como a depressão

Reduz ansiedade e estresse - A endorfina liberada pelo cérebro durante e após a atividade física é considerada um analgésico natural, aliviando as tensões

Melhora o sono - Praticar uma atividade de dia contribui para um sono melhor à noite. Da mesma forma que dormir bem potencializa os efeitos do exercício no corpo. Só é bom evitar fazer uma atividade muito intensa à noite, perto da hora de dormir, pois isso pode atrapalhar o início do sono

Previne doenças - A atividade física regular previne resfriados, pois melhora a imunidade. Além disso, diminui o risco de doenças no coração, pressão alta, osteoporose, diabetes e obesidade. Aumenta as taxas do bom colesterol e diminui o mau colesterol. E ainda auxilia na prevenção ao Alzheimer

Ajuda a socializar - Fazer exercício ajuda a conquistar novas amizades. Esportes coletivos e danças permitem que as pessoas se relacionem em um ambiente descontraído

Mais Memória - Atenção, estudantes! A atividade física ajuda nos estudos. Estudos mostram que a liberação de serotoninas deixa o cérebro mais alerta

Melhora a autoestima - Manter o corpo em equilíbrio, dentro do peso certo, colabora para a autoestima. Sem falar que a disposição para encarar as outras tarefas é muito maior

 

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