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"Selinho" entre pais e filhos é saudável?

O que dizem especialistas sobre essa prática de muitas famílias

Vittorio ganha selinho do pai, Alexandre: polêmica
Vittorio ganha selinho do pai, Alexandre: polêmica
Foto: Reprodução/Instagram

Recentemente, a apresentadora Adriane Galisteu foi alvo de uma enxurrada de críticas ao publicar em sua rede social uma foto do filho, Vittorio, de 9 anos, dando um selinho na boca do pai dele. Era Dia dos Pais, e a artista quis homenagear o marido, Alexandre Iódice. Mas o simples gesto, comum em muitas famílias, dividiu os internautas.

Sempre que um famoso aparece dando selinho no filho a polêmica volta à tona. Afinal, isso é saudável? Muita gente não acha nada demais. Mas há quem julgue esse tipo de comportamento como algo bastante inadequado.

“Desnecessário! Poderia demonstrar o afeto e o carinho de outras formas”, alfinetou uma internauta na foto da apresentadora. “A maldade está nos olhos de quem vê”, opinou outra fã.

A psicóloga Adriana Müller não vê grandes problemas nos selinhos. Mas acha a discussão sobre o tema até válida.

CUIDADOS

“Do ponto de vista psicológico não tem problema nenhum. Não há perigo. Se alguns pais acham legal demonstrar seu afeto pelos filhos assim, ok! Só acho importante observar certos cuidados”, comenta a psicóloga, que também é comentarista da Rádio CBN Vitória.

Quem costuma ver problema nessa atitude, segundo Adriana, é porque está dando outra conotação a ela. “Quem não concorda com o selinho na criança está sexualizando aquilo. E é aí que começa a confusão”, diz ela.

A primeira coisa, portanto, é deixar bem claro o que é selinho e o que não é: “O selinho é aquele estalinho, que é muito diferente do beijo na boca. O selinho pode ser uma demonstração de carinho sem nenhuma conotação sexual. Não é beijo de verdade, não é romântico ou tem cunho sexual”, pontua a psicóloga.

Mesmo sendo totalmente inocente, é preciso ver como a criança reage ao gesto. “Os pais podem ser superliberais. Mas e a criança? Está confortável com aquilo? Não pode ser algo forçado. Tem que respeitar a vontade dela. Porque à medida que ela vai crescendo, vai entendo as regras de interação social. Vivemos em uma cultura em que o beijo é considerado um comportamento sexualizado, que faz parte das relações românticas. Se ela passar a se sentir constrangida, tanto em casa quanto em local público, é porque provavelmente entendeu o contexto sexual do beijo e não quer mais aquilo”, destaca.

Uma dica é conversar sobre o assunto. “Vale explicar que esse tipo de demonstração de amor só existe na família, com o pai e a mãe. Ou a criança vai entender que pode sair dando selinho em todo mundo, em coleguinhas da escola, por exemplo, o que pode criar um problema, já que nem todas as famílias aceitam. A criança pode ainda não conseguir entender que ela não é obrigada a ter esse tipo de contato físico com outros adultos. Se um ‘tio’ desconhecido quiser dar um selinho nela, ela vai acabar aceitando, na ingenuidade. Então, o melhor é conversar, mostrar os limites”, orienta Adriana.

Agora, para além dos aspectos culturais e comportamentais, o selinho pode representar um verdadeiro perigo. Pelo menos para os médicos.

SAÚDE

“Não tem meia conversa. O selinho na criança não é indicado, mesmo que seja uma demonstração de carinho. Não é uma prática recomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria pelo risco para a saúde dela”, afirma a pediatra Lívia Lopes.

Esse contato boca a boca entre pais e filhos, segundo a médica, pode ter sérias consequências.

“A boca é um ambiente muito contaminado. O adulto pode transmitir vírus, bactérias. Uma herpes, por exemplo, num adulto, é algo simples. Mas num bebê pode causar uma infecção grave e levá-lo até à morte! Melhor dar um beijo só na bochecha ou na testa da criança”, frisa ela.

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