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Especialista explica como manchas de óleo afetam animais marinhos

Ouça a análise do comentarista Marco Bravo

As manchas de petróleo em praias do Nordeste já atingiram 166 localidades em 71 municípios de 9 estados desde o final de agosto deste ano. O desastre tem afetado a vida de animais marinhos e causado impactos nas cidades litorâneas. A origem do material poluente ainda está sob investigação. Nesta edição do CBN Meio Ambiente e Sustentabilidade o comentarista Marco Bravo explica como essas machas afetam a vida marinha, como as tartarugas.

O comentarista explica que o petróleo cru pode afetar a digestão dos animais e obstruir as nadadeiras de espécies de tartarugas comprometendo, assim, o meio. Ele explica que mais tartarugas devem aparecer mortas tendo como motivo causas de intoxicação e dificuldade de respiração, já que a subida para a parte acima do mar fica comprometida. 

O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) esclarece que a equipe de técnicos do órgão, que incluem oceanógrafos, está acompanhando todos os acontecimentos na costa nordeste do Brasil, com bastante atenção. E a Coordenação de Gerenciamento Costeiro e Territorial do Iema está em contato permanente com os gestores costeiros da Bahia.

Com relação ao deslocamento do óleo, é observado que o resíduo está seguindo a trajetória da Corrente do Brasil. E para o Espírito Santo, a preocupação é se este material chegar até a região sul da Bahia, onde as correntes marinhas incidem, preferencialmente, em direção ao Espírito Santo, o que em tese poderia trazer este resíduo até o Estado, de acordo com Carta de Sensibilidade Ambiental a Derramamento de Óleo no Mar (Carta SAO), que é a base de fornecimento de informações de todos os parâmetros oceanográficos.

É importante salientar que na região de Abrolhos, no extremo sul da Bahia, a Corrente do Brasil sofre alterações que podem direcionar o resíduo tanto para a costa como para dentro do oceano aberto, tornando a direção ainda mais incerta. Caso se efetive o deslocamento em direção a costa, é quase impossível evitar que ela não chegue ao Espírito Santo.

O Estado possui 411 km de costa, distribuídos em 14 municípios costeiros e possivelmente a primeira praia a ser atingida seria na porção norte, onde há o Parque Estadual de Itaunas, que é uma unidade de conservação de proteção integral, na categoria mais restritiva de conservação.

Com relação a possíveis datas de chegada do óleo ao Espírito Santo é impossível precisá-la devido impossibilidade de mensuração da quantidade de óleo ainda disponível no mar, além da velocidade da corrente marítima e de processos oceonográficos específicos da região de abrolhos, por terem muitos recifes, águas rasas, correntes induzidas por maré, entre outras.

Nesta segunda-feira (14), o Secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Fabrício Machado, realizou uma reunião de alinhamento com gestores e técnicos do Iema, Agerh, Defesa Civil e representantes do Ibama e do ICMBio com o objetivo de traçar ações, imediatas e preventivas, visando construir um Plano de Emergência para subsidiar os municípios e os entes envolvidos no tratamento de diversos assuntos estratégicos, como limpeza das praias, descarte dos resíduos gerados e até mesmo recolhimento de fauna oleada, entre outros. Este Plano será elaborado pelo grupo de trabalho criado nesta reunião de alinhamento.

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