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Toxoplasmose: falta de higiene com alimentos é a maior vilã

O alerta é da comentarista Tatiana Sacchi, nesta edição do Clube Pet CBN

Cão e gato
Cão e gato
Foto: chendongshan/Thinkstock

Ainda é comum nos dias de hoje os veterinários ouvirem mulheres grávidas e seus familiares dizerem que se desfizeram ou vão doar seus animais de estimação, principalmente gatos, por causa do risco de contágio com a toxoplasmose. Muitos agem assim seguindo orientação de leigos, fontes de internet pouco confiáveis e até mesmo profissionais que passam informações equivocadas.

Isso pode gerar sofrimento para os tutores e aqueles mais receosos em relação ao convívio homem-animal podem doá-los ou, na pior das hipóteses, até abandoná-los. A comentarista Tatiana Sacchi fala, neste Club Pet CBN, sobre a real extensão do risco da doença tendo animais domésticos:

ENTENDA!

A toxoplasmose é uma zoonose, ou seja, doença transmissível dos animais para os humanos. É causada pelo Toxoplasma gondii, um protozoário que faz parte do seu ciclo de vida no homem e em animais como o porco, boi, carneiro, aves, ratos entre outros, ficando encistado na musculatura dessas espécies. A outra parte do ciclo é feita em felinos caçadores que se alimentam de carne crua contendo estes cistos do parasita, completando sua reprodução no intestino desses animais. São as fezes contaminadas desses animais que vão contaminar o meio ambiente, e elas precisam ficar pelo menos 48 horas no ambiente para que o ciclo se complete e os oocistos se tornem infectantes. Os cães não transmitem toxoplasmose.

A chave da questão é que o gato só se contamina uma vez durante toda sua vida, apenas se tiver o hábito de caçar e comer ratos e aves, ou comer carne crua ou mal passada. Esse animal também vai eliminar os cistos de toxoplasma no ambiente só uma vez na vida, durante um período de até 15 dias. Depois disso, o gato fica imune a outras re-infestações. Estima-se que apenas 1 em 100 gatos seja portador do parasita e normalmente são animais com imunidade comprometida.

Portanto, a forma mais comum de adquirir a doença é através da ingestão de carne crua ou mal passada, ingestão de água contaminada ou alimentos mal higienizados contendo os cistos do protozoário.

Grande parte das pessoas que se contaminam são saudáveis e apenas portadoras dos cistos, não manifestando sintomas. As pessoas suscetíveis à doença são aquelas com imunidade comprometida, como os portadores de HIV, pessoas transplantadas ou com doença auto-imune. As pessoas com infecção ativa podem apresentar febre, aumento de gânglios, manchas no corpo, dores musculares ou de cabeça, cegueira parcial ou total, problemas neurológicos, pneumonia, miocardite entre outros sinais. Mulheres gestantes que adquirem a infecção durante o período gestacional podem transmitir a infecção para o feto e este pode nascer com neuropatias e oftalmopatias.

O diagnóstico é feito através de sorologia e o tratamento é feito com antibióticos.

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