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"Adulteração de combustível no ES é prática endêmica", diz polícia

A afirmação é do delegado Raphael Ramos, gerente do Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas (Nuroc) da Polícia Civil

Uma das fraudes mais recorrentes é a adição de álcool à gasolina em volumes muito superiores ao permitido pela legislação
Uma das fraudes mais recorrentes é a adição de álcool à gasolina em volumes muito superiores ao permitido pela legislação
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A adulteração de combustível no Espírito Santo é uma prática de mercado "endêmica e sistêmica", segundo declarações do delegado Raphael Ramos, gerente do Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas (Nuroc) da Polícia Civil. 

Responsável pelas investigações que apuram como funciona o esquema de adulteração da gasolina, Ramos relata, nesta entrevista exclusiva à CBN Vitória, como operava a organização que envolve não apenas distribuidoras e postos de combustíveis, mas também usinas de álcool, importadoras e transportadoras, entre outros. 

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O delegado ressalta que uma das fraudes mais recorrentes é a adição de álcool à gasolina em volumes muito superiores ao permitido pela legislação. As misturas, revela, aconteciam na Grande Vitória em garagens e depósitos, geralmente nas quintas e sextas-feiras ou véspera de feriados, quando a fiscalização é menos intensa. 

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Uma outra fraude já em investigação pelo Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas (Nuroc) da Polícia Civil é a que envolve também o setor de combustíveis com o golpe da "bomba baixa".

Ouça abaixo detalhes nesta entrevista. 

A Operação Lídima foi deflagrada no dia 3 de dezembro deste ano e desmantelou um complexo esquema de adulteração de combustíveis e sonegação no Espírito Santo. As investigações, realizadas em parceria entre o Nuroc e o Gaeco, permitiram levantar também provas da prática de crime de sonegação contra o consumidor, contra as relações de consumo e formação de um cartel para a revenda e a distribuição de combustível. Além da prática de lavagem de dinheiro e crime de organização criminosa.

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O OUTRO LADO

Em nota, o Sindipostos classifica como irresponsável a declaração do delegado chefe do Nuroc, Raphael Ramos, de que a "a adulteração de combustíveis é uma prática 'endêmica' e 'sistêmica' no Espírito Santo". A afirmação causou estranheza ao setor que afirma que sem dar nomes ou apresentar dados, "joga sobre todo o segmento uma nuvem de dúvidas diante do consumidor capixaba. O Sindipostos também esclarece em nota, que "tem certeza da honestidade da esmagadora maioria dos seus representados, que são cumpridores dos seus deveres fiscais e legais e das regras de livre mercado".

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Por fim, afirma que o segmento é a favor do combate às fraudes, "com todo o rigor da lei pelos danos que causam ao consumidor e ao verdadeiro empresário, com a prática de preços mágicos, muitas vezes bem vistos pelas autoridades e consumidores".

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