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Descarte irregular de lixo reciclável prejudica reaproveitamento em Vitória

Frequentemente o material tem sido perdido devido à contaminação do lixo seco, de acordo com a prefeitura

O lixo seco que é recolhido pela equipe de Coleta Seletiva de Vitória, e deveria ser encaminhado para as Associações de catadores de Materiais Recicláveis para ser reaproveitado e gerar renda para as famílias, frequentemente tem sido perdido devido à contaminação dos materiais. Isso acontece principalmente nos 64 Ecopostos espalhados por 42 bairros da cidade, em que a população tem depositado o vidro, metal, papel e plástico misturado com o lixo orgânico.

Hoje, a coleta seletiva acontece por meio dos Pontos de Entrega Voluntária (PEV's) de materiais recicláveis e do recolhimento nos condomínios, prédios públicos, escolas e igrejas cadastradas, totalizando 670 pontos de coleta. De acordo com o Secretário de Serviços de Vitória, Fernando Rocha, o descarte incorreto acontece principalmente nos PEVs, que a população muitas vezes trata como se fosse uma lixeira comum.

 


“Nós temos os PEVs, Postos de Entrega Voluntária, nas vias públicas e praças. Neles é que o morador leva o seu lixo seco é que a gente às vezes tem algum problema de ter um lixo contaminado. Muitas vezes colocam o lixo úmido dentro, ou não separam e colocam o seco com o úmido, e esse é o que tem dado problema”, afirmou.



Custo



Segundo a procuradora de Vitória, Flávia Marchezini, a coleta seletiva é cerca de oito vezes mais cara do que a coleta comum aos cofres públicos, mas esse investimento é desperdiçado quando a população joga o lixo reciclável misturado ao resíduo orgânico, inviabilizando que ele seja reaproveitado.



“Quando a comunidade não faz a separação adequada, aquele resíduo deixa de servir para a coleta seletiva e o poder público é obrigado a reenviá-lo para o aterro sanitário. A pessoa, que paga seus impostos, acaba pagando duplamente por conta da sua própria má educação”, explicou à Rádio CBN Vitória.



Coleta seletiva em Vitória
Coleta seletiva em Vitória
Foto: Natália Devens

Marchezini destacou que há um lote de resíduos recicláveis que foi interditado pela Vigilância Sanitária, pois não tinha condições de ser enviado às Associações de Catadores. A prefeitura precisará fazer uma triagem nele para tentar aproveitar uma parte desse resíduo, e o restante será levado para o aterro sanitário. Nessa situação, além do prejuízo, ela lembra dos riscos a que os catadores são submetidos.



“E isso é muito importante, não só para assegurar que as associações tenham um retorno financeiro com esse produto, mas também que elas não vivam uma situação de insalubridade no trabalho, para que tenham condições dignas. Nós tivemos situações deles abrirem a sacola e sair ratos de dentro, um mau cheiro terrível. As pessoas precisam começar a olhar para o seu lixo com uma nova perspectiva. Ela não está simplesmente descartando algo inservível”, disse.



Segundo a prefeitura, atualmente são coletados 189 toneladas de lixo seco por mês em média. A maior parte do material é papelão e papel.

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