Notícia

Secretário de Estado diz que fumaça de turfa não faz mal à saúde e é desafiado por médico

'Desafio o senhor secretário de Meio Ambiente a ficar lá naquela fumaça. Se ele conseguir ficar lá meia hora, sem tossir, nós admitimos que aquilo (fumaça) não faz mal', afirmou o médico alergista e vice-presidente da Associação Brasileira de Imunopatologia, José Carlos Perini

De uma simples irritação nos olhos até uma grave pneumonia. Isso é o que pode acontecer com pessoas que inalam frequentemente a fumaça proveniente do incêndio na área de turfa, próximo ao Morro do Mestre Álvaro, na Serra. O alerta é do médico alergista e vice-presidente da Associação Brasileira de Imunopatologia no Espírito Santo, José Carlos Perini, após o Estado avaliar que não há riscos à saúde, uma vez que a fumaça não é tóxica. O especialista lançou um desafio às autoridades.

Neste fim de semana, em entrevista coletiva, a respeito das ações desenvolvidas para combater o incêndio, o secretário Estadual de Meio Ambiente, Rodrigo Júdice, afirmou que a fumaça da turfa não causa risco à saúde da população. “Ela não causa nenhum problema de saúde. É um material orgânico e a fumaça causa, no mínimo alergia, mas nenhum dano à saúde”, afirmou na sexta-feira (24).

 

 

Desafio

A opinião do secretário não é a mesma do especialista. Em entrevista ao programa CBN Vitória, Perini afirmou que a fumaça da turfa faz muito mal à saúde pois irrita os olhos, a garganta e o pulmão. De acordo com o médico, pessoas que já têm doenças respiratórias como asma, bronquite, sinusite e enfisema pulmonar são as mais prejudicadas, porque com a fumaça essas doenças vão se manifestar.

O médico lançou um desafio ao secretário de Meio Ambiente para provar que a fumaça da turfa causa vários problemas à saúde da população. “Desafio o senhor secretário de Meio Ambiente a ficar lá naquela fumaça. Se ele conseguir ficar lá meia hora, sem tossir, nós admitimos que aquilo (fumaça) não faz mal”, desafiou em entrevista à CBN.

 

Ouça a entrevista do médico José Carlos Perini, cedida ao programa CBN Vitória 



A demanda por atendimentos médicos, por causa de problemas respiratórios, nos postos de saúde dos bairros Pitanga, Jardim Limoeiro, Jardim Carapina, Carapina Grande e José de Anchieta aumentaram em 10% desde o início da queima da turfa, de acordo com a prefeitura. A administração municipal encomendou um estudo técnico para saber se os problemas respiratórios são originários da fumaça da turfa ou por causa do clima úmido do outono.

Os bombeiros continuam com o trabalho de alagar toda área atingida pelo incêndio para minimizar os transtorno, porém, a informação do Corpo de Bombeiros é que não há previsão de quando a fumaça vai ser completamente eliminada.

 

Resposta

Neste sábado (25), procurado por meio da assessoria de imprensa, o secretário Rodrigo Júdice não quis fazer comentários diretamente ligados à fala do médico. Júdice reforçou, novamente, que a combustão da turfa tem origem em matéria orgânica e não tóxica, mas que pode provocar irritações na garganta e tosse.

Com base em informações da Secretaria de Estado da Saúde, a indicação é ingerir bastante líquido para amenizar os efeitos da fumaça. A população que possui nebulizador em casa está recebendo soro, acrescentou o secretário.