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Primeiras testemunhas confirmam versão de diplomata espanhol

Uma policial civil e um delegado aposentados estiveram no apartamento de Jesús Figon a pedido do espanhol, depois da morte de Rosemary,

As primeiras pessoas a entrarem no apartamento do diplomata espanhol Jesús Figón depois de o estrangeiro ter matado a facadas a mulher, Rosemery Justino Lopes, foram ouvidas nesta terça-feira (19) pelo delegado chefe da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), Adroaldo Lopes.

 

 

 

 

A policial civil aposentada Jaqueline Pina e o delegado aposentado Sérgio Nascimento Lucas estiveram no local a pedido do próprio diplomata, que alega legítima defesa. As informações passadas pelos dois estão de acordo com a versão do espanhol, inclusive a hora da morte.

A Adroaldo Lopes, Jaqueline informou que conhecia Rosemery há muito tempo. Após se aposentar na Polícia Civil do Espírito Santo, ela virou cabeleireira e abriu um salão. A esposa do diplomata espanhol, que também é cabeleireira, prestava serviços esporadicamente no salão de Jaqueline.

O delegado titular da DHPM afirma que Jaqueline confirmou a descrição do casal. Assim como Jesús, a policial civil aposentada contou que Rosemery era depressiva e alcoólatra. Inclusive, foi ela que indicou ao diplomata que levasse a esposa na reunião nos Alcoólatras Anônimos (AA) às 19h30 da segunda-feira (11). Esse encontro foi o motivo da primeira discussão do casal na noite anterior a morte. "Ela vivenciou essa situação da Rosemery. Por vezes, a esposa de Jesús chegou ao salão e não podia sequer trabalhar, devido ao seu estado alcoólico. Jaqueline precisava mandá-la embora e voltar quando estivesse melhor", disse o delegado.

Durante a briga no AA, Jesús ligou para Jaqueline para contar a confusão que antecedeu a reunião. No celular da ex-policial civil, o registro da ligação marca o horário de 19h38. Foi para Jaqueline que ele ligou após constatar a morte da esposa por cinco facadas, às 6h48, segundo Adroaldo.

"Ela confirmou totalmente todas as informações passadas por ele. No depoimento ela precisou com horários, inclusive, com gravações que ela tinha e nos forneceu. Tiramos fotos das ligações que ela deu e recebeu do Jesús no momento do crime e no dia anterior quando ele estava em uma reunião no AA com esposa. Tudo que foi passado para gente, foi provado por meio de horário", afirmou o delegado.

Segundo Jaqueline, Jesús ligou para ela informando que tinha matado a esposa. O conteúdo dessa ligação ficou gravada no celular da policial civil aposentada e já está em posse da DHPM. Por volta das 7h, ela chegou ao apartamento do espanhol. Ela disse que Jesús estava sentado na escada, com o pijama ensanguentado e chorava enquanto disse: "Matei minha Rosita". A policial civil aposentada disse que permaneceu no primeiro andar da casa. O corpo de Rosemery estava no segundo. Assustada com a situação, pediu para o diplomata aguardar, pois ela ligaria para uma autoridade policial.

Foi neste momento que ela acionou o delegado aposentado Sérgio Nascimento Lucas, que é vice-presidente do Sindicato dos Delegados do Espírito Santo (Sindepes). Após desligar o telefone com Jaqueline, Sérgio ligou para Adroaldo Lopes informando a situação e seguiu para a casa de Jesús. 


Em depoimento, o delegado aposentado afirmou que quando chegou ao local, o diplomata já tinha limpado o rastro de sangue do sofá (onde Rosemery foi morta) até o banheiro da suíte do casal, utilizando cloro. O delegado aposentado relatou que chegou até a porta do banheiro para ver o corpo de Rosemery e constatar a morte. Ao perceber que a mulher não respirava mais, pediu a Jesús que tomasse uma banho para seguirem para a DHPM.

Em conversa rápida com a reportagem da Rádio CBN Vitória, o delegado aposentado Sérgio Nascimento Lucas afirmou que conheceu Jesús Figón na quinta-feira antes do crime. O diplomata teria o procurado enquanto representante do Sindepes, propondo um intercâmbio de delegados para um curso na Espanha.