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'Chuva de minério' no mar foi decisiva para interditar operações no Porto de Tubarão, diz PF

Investigação da Polícia Federal filmou o despejo de resíduos de pó de minério de ferro no mar de Vitória. Policiais federais classificam o ocorrido como "uma verdadeira chuva de minério"

Um vídeo feito pela Polícia Federal no Píer II, no Complexo de Tubarão, foi crucial para que o juiz federal Marcus Vinícius Figueiredo de Oliveira Costa, determinasse a interdição da atividades econômicas na Vale nos píeres de Carvão e Minério - assista abaixo. As imagens mostram o minério de ferro sendo despejado no mar de Camburi. Os policiais federais classificam o ocorrido como “uma verdadeira chuva de minério”.

O vídeo foi feito no dia 25 de novembro e foi uma das provas apresentadas à Justiça. Na decisão, o juiz classifica como criminosa a atividade nos dois píeres do Porto. De acordo com o chefe da Delegacia de Repressão aos Crimes Ambientais da PF, Décio Ferreira Neto, a equipe da Polícia Federal chegou até o Porto de Tubarão de lancha.

“Vimos que as esteiras que carregam o minério caem direto na água. O carvão retirado no navio também vai para o ar e cai na água. A partir disso, fizemos filmagens e fotografias e representamos com essa medida”, informou.

O delegado destaca que a situação surpreendeu até mesmo os policiais federais. “Como já tínhamos várias denúncias, várias provas, sabíamos que iríamos encontrar alguma coisa, mas não da forma como encontramos”, afirmou.

Novo flagrante

Nesta quinta-feira (21), quando os policiais federais foram cumprir o mandado judicial, novamente presenciaram o minério sendo jogado no mar. O perito criminal André Bittencourt ficou todo sujo de minério de ferro porque ficou embaixo da esteira para recolher amostras de água.

“A própria esteira, com o movimento de retorno, joga para o mar o minério que ficou agarrado nela. Eu estou brilhando porque estávamos na lancha fazendo a coleta do material para análise e estava 'chovendo minério' em cima do barco”, destacou.

De acordo com o delegado Regional de Combate ao Crime Organizado da PF, Vitor Moraes Soares, existe duas possibilidades para que os trabalhos sejam retomados no Complexo de Tubarão: A Vale pode propor um projeto para o juiz federal, demonstrando que ações serão implementadas para cessar o dano ambiental e o juiz pode revogar a decisão.

Outra hipótese é que a Vale pode recorrer dessa decisão judicial e a avaliação fica a cargo do Tribunal Regional Federal, que pode dar razão aos argumentos da Vale ou manter a decisão judicial de interdição do porto.

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