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Minorias têm baixa representatividade no poder e problema é histórico, diz socióloga

Para mudar a realidade, a socióloga Maria Ângela Soares aponta que ainda é preciso ocorrer mudanças culturais

A baixa representatividade de minorias em espaços de poder no Brasil chama a atenção. Exemplo disso é que quando o presidente em exercício Michel Temer tomou posse após o afastamento da presidente Dilma Rousseff, nenhuma mulher foi nomeada para comandar um ministério. Outro indicativo é o alerta feito, nesta semana, pela Organização das Nações Unidas (ONU) a respeito do baixo número de negros na cúpula do governo brasileiro.

A socióloga Maria Ângela Soares explica que esse problema é histórico no Brasil. Ela aponta que, para as pessoas que fazem parte de minorias, a ascensão a espaços de poder é muito dificultada porque a lógica de que o poder pertence a homens, brancos, heterossexuais e cristãos foi construída ao logo do tempo e está enraizada na cultura nacional.

Maria Ângela Soares aponta como essa realidade foi desenvolvida historicamente. “Não só no Brasil, mas na sociedade ocidental de uma forma geral, o poder foi feito para o colonizador, não para o colonizado. As minorias todas: mulheres, negros, homossexuais não fazem parte desse processo. Para ascender aos espaços de poder há uma dificuldade enorme”, disse em entrevista à Rádio CBN Vitória.

Para mudar esse quadro, a socióloga aponta que ainda é preciso ocorrer mudanças culturais e muita pressão por parte das pessoas que não ocupam os espaços de poder. “Como o processo é cultural, desconstruir é outra luta, não é do dia para a noite. É necessário que as minorias se conscientizem também são sujeitos de direito e de que esses espaços são legítimos de serem ocupados por elas”, apontou a socióloga.

Nesta semana, o alto comissário de Direitos Humanos da ONU, Zeid Al Hussein, alertou para a baixa quantidade de negros na alta cúpula de poder na América Latina e no Caribe. Em discurso, ele destacou que os negros são mais da metade da população brasileira, mas sua representação nos altos níveis do governo, incluindo ministérios, é muito inferior.

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