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Falta de estrutura desestimula o uso da bicicleta em Vitória

Pesquisa sobre vias cicloviárias tem como intuito apresentar propostas para melhoria de mobilidade urbana para a cidade de Vitória. O projeto foi apresentado nesta quarta-feira (23) em um debate no auditório da Rede Gazeta

Apenas 15% da população capixaba utiliza a bicicleta como principal meio de locomoção e a falta de estrutura de apoio, além da baixa quantidade de estacionamentos são fatores que desestimulam as pessoas a andarem de bicicleta. No entanto, por ser uma cidade que tem boa parte de seu território plano, teria grande potencial para o desenvolvimento do sistema cicloviário.

É o que aponta uma pesquisa realizada durante quatro meses por um grupo de estudantes de Geografia e Arquitetura e Urbanismo da Ufes em parceria com a Rede Gazeta, no projeto Gazeta Lab. A pesquisa sobre vias cicloviárias tem como intuito apresentar propostas para melhoria de mobilidade urbana para a cidade de Vitória. O projeto foi apresentado nesta quarta-feira em um debate no auditório da Rede Gazeta e contou com a participação de especialistas, representantes do poder público e da população.

Para a professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFES e coordenadora da pesquisa, Cristina Engel, é importante entender que a bicicleta não substituiria os transportes coletivos, mas deveria ser um complemento e que poderia ser uma alternativa não só para o lazer, mas também para o trabalhador.

“Vitória, quanto mais a gente estuda, mais a gente identifica que tem um grande potencial e quando a gente fala sobre a utilização da bicicleta, do incentivo da bicicleta, é importante dizer duas coisas: nós não queremos incentivar o uso da bicicleta apenas para lazer. A gente está lutando para que a bicicleta seja um meio para o trabalhador”, disse Cristina.

O professor de Educação Física e Cicloativista, Fernando Braga, conta que sonha com a diversificação e a integração dos sistemas modais de trânsito na Grande Vitória e acredita que o sistema rodoviário ainda é muito utilizado. “Nós estamos aqui em uma ilha, com o mar abrigado em toda a sua volta, nós poderíamos estar com uma sociedade mais saudável que incentivaria o pedestrianismo e a ciclomobilidade, as pessoas ficariam mais ativas, sem contar a redução da poluição ambiental e das doenças respiratórias”, afirmou Braga.

O sistema cicloviário de Vitória foi discutido no Plano Diretor Urbano (PDU) e o Secretário de Gestão, Planejamento e Comunicação, Fabrício Gandini, explica que a prefeitura tem como meta para este ano construir ciclorrotas na cidade, buscando referências nacionais e internacionais. “A gente contemplou várias ciclorrotas, traçamos os objetivos da cidade de Vitória e a gente em breve deve lançar nove ciclorrotas”, relatou Gandini.

Conhecida mundialmente pelo sucesso no sistema viário, a cidade de Curitiba foi representada pelo arquiteto urbanista e administrador público Miguel Ostoja Roguski, que compartilhou experiências sobre o desenvolvimento do Plano idealizado para a capital paranaense. Segundo o arquiteto, a participação de cicloativistas foi fundamental neste processo. “O papel dos cicloativistas fortaleceu a política de transporte não motorizado, que ganhou destaque importante no nosso plano diretor revisado em 2015”, explicou Roguski.

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