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Cresce o número de reclamações no Transcol por causa de horário

Os dados foram obtidos pela reportagem por meio da Lei de Acesso à Informação

O ano ainda nem terminou, mas o número de reclamações de usuários do sistema Transcol por causa de atrasos em horários de ônibus cresceu 17% até outubro de 2017, em comparação com todo o ano passado. Em 2016, de janeiro a dezembro, foram 1.527 ligações para o Disque-Ceturb. Neste ano foram 1.801 reclamações pelo mesmo motivo.

Os dados foram obtidos pela reportagem por meio da Lei de Acesso à Informação. E não é só esse o problema na visão dos usuários. Ainda há as reclamações por causa de descuprimento de itinerário, o percurso feito pelos motoristas. Foram 191 em 2016 e 279 neste ano. Ainda assim, o número é menor do que as 320 reclamações de 2015 pelo motivo.

O pesquisador Adeilton dos Santos, de 35 anos, usa muito o transporte para trabalhar e acredita que perder um coletivo cria um efeito dominó. “Hoje mesmo o ônibus atrasou, por causa do trânsito. E complica porque chegamos atrasado no nosso compromisso. É como se fosse um efeito dominó, você perde um e outro”, explica.

A universitária Naiara dos Santos, de 27 anos, sai todos os dias de Caçaroca para Itacibá, em Cariacica, onde estuda. Quando volta para casa à tarde ela perde um dos coletivos por causa de atrasos. “Acabo chegando no meu destino em uma hora, em um trajeto que poderia fazer em 40 minutos. Se previsse o trânsito ajudaria bastante ou disponibilizassem mais linhas, com outros itinerários para cortar o trânsito”, explica.

O gerente de atendimento ao usuário da Companhia de Transportes Urbanos da Grande Vitória (Ceturb-GV), Gilmar Pimenta, justifica que os atrasos acontecem principalmente por causa do trânsito, assim como as mudanças de itinerário, registradas, segundo ele, devido a obras em vias. Ele relaciona os números altos também com a paralisação da PM, em que muitos coletivos não seguiram o horário.

Gilmar afirma que não é possível aumentar muito o número de coletivos, pois isso pode implicar no aumento do preço da passagem. “Eu não posso colocar ônibus sem necessidade. Eu encareço o sistema. Tem a questão da mobilidade. Agora a gente tem que lembrar que ônibus é para andar em pé também”, justifica.

Uma reclamação muito grande também é relativa à recusa de embarque, quando os motoristas não param no ponto de ônibus. Foram 1.271 reclamações no ano passado. Neste ano foram 1.084 no total até outubro.

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