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Periferia de Vitória tem 4 vezes mais mães adolescentes

No Estado, uma criança dá à luz por dia

Rosiane, 32 anos, com nove de seus 10 filhos  e o marido, Sérgio Queiroz. A primeira gravidez dela foi aos 14
Rosiane, 32 anos, com nove de seus 10 filhos e o marido, Sérgio Queiroz. A primeira gravidez dela foi aos 14
Foto: Carlos Alberto da Silva | GZ

A realidade triste da gravidez na adolescência é ainda pior em bairros de periferia em Vitória. Onde há mais pobreza, o número de meninas à espera de um filho é quatro vezes maior. Enquanto em São Pedro, Santo Antônio e Maruípe, os índices chegam a 20%, Jardim da Penha, Mata da Praia e Jardim Camburi têm taxa de 4,5%. A média da Capital é de 13%. Outro dado aponta uma situação alarmante no Estado: nos últimos dois anos, uma criança deu à luz a outra a cada dia.

Os números que mostram o contraste entre os bairros de Vitória são de uma pesquisa feita pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela Secretaria de Saúde de Vitória, e revelam que a gravidez de adolescentes está mais presente nas localidades periféricas, assim, claro, como suas consequências. Os dados são parte de uma reportagem especial da CBN Vitória.

Outros levantamentos da rádio mostram que a gravidez na adolescência está longe de ser incomum. Dos 108 mil capixabas que nasceram nos últimos dois anos, 15% são filhos de adolescentes.

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A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informa que 16.637 adolescentes tiveram filhos em 2016 e 2017 no Estado. Desse total, 779 foram meninas de 10 a 14 anos, ou seja, aproximadamente uma por dia. Em 2016 a quantidade foi maior, 418. Já em 2017, o número caiu para 361.

As outras 15.858 grávidas tinham entre 15 e 19 anos (8.191 em 2016 e 7.667 em 2017). A divisão de idades acontece por conta de orientações da Organização Mundial da Saúde, que divide a gestação de adolescentes em dois grupos.

Por conta da gravidez, muitas meninas-mãe precisam deixar a escola ainda no ensino fundamental e abdicar de uma parte de suas vidas.

A dona de casa Rosiane Bravim, hoje com 32 anos, é um desses casos. Ela ficou grávida pela primeira vez aos 14 anos. De lá para cá, foram mais nove filhos,cinco meninos e cinco meninas. Ela e o marido moram em Flexal II, em Cariacica.

“Eu estudei até a quinta série (do fundamental). Tive filho muito nova e sem planejar, o filho acaba tirando tudo da gente. Eu tinha o sonho de estudar, me formar em alguma coisa, mas esses sonhos ficaram todos para trás, todos frustrados.”

Apesar do cenário do Estado, em comparação com o Brasil, o índice de gravidez na adolescência no Espírito Santo é mais baixo. Por aqui, a taxa para cada mil garotas entre 15 e 19 anos é de 52,2 grávidas, segundo dado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2016. No país, levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2015 aponta que são 68,4.

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