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Receita de sindicatos no ES cai até 80% com fim de contribuição

Algumas centrais sindicais capixabas estimam uma queda de arrecadação superior aos 60% em 2018

Carteira de Trabalho
Carteira de Trabalho
Foto: Reprodução internet

Com a mudança provocada pela reforma trabalhista, o pagamento da contribuição sindical não é mais obrigatório para trabalhadores ou empregadores. Uma mudança que diminui a receita de vários sindicatos em todo o Brasil. No Espírito Santo, a queda para algumas organizações chegou a 80% do que era arrecadado até o ano passado.

Para os trabalhadores, a contribuição obrigatória correspondia ao desconto de um dia trabalhado por ano -desconto que tradicionalmente era feito no mês de março. No caso dos sindicatos patronais, o desconto era feito no mês de janeiro, baseado na arrecadação que a empresa teve no ano anterior.

O Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos do Espírito Santo, por exemplo, estima que perdeu 30% de receita com a nova regulamentação. Para cortar gastos, o Sindimetal fechou as regionais de São Mateus e Anchieta. O diretor Max Célio de Carvalho afirmou que o sindicato está atuando para aumentar o número de trabalhadores sindicalizados e também em conscientizar os trabalhadores não sindicalizados sobre importância da contribuição sindical opcional.

"A argumentação principal é essa: O trabalhador tem que entender que a instituição sindical que o representa luta para manter os benefícios, e aumentar esses benefícios é importante. Se pode piorar com o sindicato, sem o sindicato vai ficar pior ainda", argumentou o presidente do Sindimetal.

Já a Fecomércio fez um levantamento com os 23 sindicatos que representa e estimou uma queda de arrecadação de 60% com o fim da contribuição sindical obrigatória. O diretor da entidade, Ilson Bozi, acredita que o fim da contribuição obrigatória vai acabar também com a acomodação de alguns sindicatos.

"Os sindicatos estão acostumados a cruzar os braços e deixar a contribuição compulsória cair (na conta) ao final de cada ano. Eu acho que acabou mamata. As pessoas têm que aprender a trabalhar", opinou o diretor da Fecomércio.

A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) informou que a arrecadação com a contribuição sindical foi reduzida em 80% em 2018. A federação, que representa 40 sindicatos, está planejando mudanças na organização para cortar gastos.

A Fetransportes, que representa sete entidades sindicais das empresas de transportes, projeta uma queda de 30% na arrecadação, mas também não especificou valores. Uma das primeiras medidas adotadas pela federação foi diminuir os investimentos em divulgação.O Transcares, Sindicato das empresas de Transportes de Cargas e Logística do Espírito Santo, estima uma diminuição de 60% na arrecadação.

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