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Cresce o número de mulheres que procuram cursos de tiro no Estado

No Clube de Tiros de Vila Velha, no primeiro semestre deste ano, o número de mulheres que se matricularam para começar a manusear uma arma de fogo aumentou 30% em relação ao ano de 2017

Soraia Santos, atleta de tiro prático, começou a atirar por questões de segurança
Soraia Santos, atleta de tiro prático, começou a atirar por questões de segurança
Foto: Rafael Monteiro de Barros

O número de mulheres que têm procurado cursos para aprender a atirar aumentou no Espírito Santo. No Clube de Tiros de Vila Velha, no primeiro semestre deste ano, o número de mulheres que se matricularam para começar a manusear uma arma de fogo aumentou 30% em relação ao ano de 2017.

Soraia Santos começou a atirar há dois anos e meio para se sentir mais segura. Ela garante que a sensação é de que está mais protegida e que tem crescido a quantidade de atiradoras. “As mulheres estão vendo a necessidade de saber atirar e de comprar uma arma de fogo, mesmo que seja para defesa em casa. Quando eu comecei, só eu e outra meninas atirávamos no clube. Depois da greve da PM, aumentou muito o número de mulheres que vieram para terem opção de defesa.”

Soraia Santos acabou se interessando mais pela atividade e se especializou em tiros com arma calibre 12. Hoje, ela é atleta profissional de tiro prático e fez parte da seleção brasileira que disputou o Campeonato Mundial na França, neste ano. “Eu fiz o curso de tiro, achei muito legal, gostei da dinâmica e vi que também havia o esporte por trás disso.”

Há cerca de um ano, a designer Gabriella Bastos Campos também começou a atirar para se sentir mais segura. “Foi pelo fato de eu morar sozinha em uma casa. Com isso, eu me sentia um pouco vulnerável”, disse.

Segundo o instrutor de tiro e despachante de armas Rômulo Santos, no Clube de Tiros de Vila Velha há cerca de 900 associados. Desse total, aproximadamente 90 são mulheres. Apesar de ser um universo ainda predominantemente masculino, ele explica que mais atiradoras têm surgido, a maior parte buscando por segurança.

Os perfis dessas mulheres são diversos, de acordo com Rômulo Santos. “A segurança não tem perfil, ela independe de ser jovem, velho, experiente. Isso é bem variado. Aqui, nós tivemos uma senhora de 77 anos que veio procurar o clube.”

O tenente da Polícia Militar Anthony Moraes destaca que é preciso ter muito cuidado e que somente aqueles que estão muito bem preparados devem utilizar armas de fogo. “Só se pode usar uma arma quando a vida da pessoa ou de outro está em risco. Não se pode usá-la em qualquer situação. É interessante que a pessoa tenha o preparo técnico, isso é fundamental. Mas tão importante quanto isso é que ela tenha preparo emocional para poder portar a arma.”

FEMINICÍDIO

Os casos de violência contra mulheres ainda têm dados chocantes. O número de feminicídios no Espírito Santo aumentou. Foram 42 casos em 2017, sete a mais do que no ano anterior, que teve 35 ocorrências. Os dados também revelam a elevação de registros de estupro: 408 no ano passado contra os 390 de 2016. No entanto, não foi especificado quantos foram cometidos contra mulheres e homens, separadamente.

A quantidade de feminicídios contribuiu para o aumento da taxa de homicídios no Estado. O número de assassinatos cresceu 17,7% em 2017 em relação ao ano anterior. Foram 1.405 vítimas, enquanto em 2016 teve 1.181 morte, ou seja, 224 a mais.

Isso deixou o Espírito Santo em 11º no ranking de Estados que mais tiveram assassinatos a cada 100 mil habitantes. O levantamento é do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2018, publicado na quinta-feira (8).

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