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Segurança: morador quer pagar obra para imóvel voltar a ter base da PM

Ricardo Laranja Bosi se propôs a arcar com os custos de reforma do Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC), que funcionava como ponto de apoio da PM no Centro de Vila Velha

Arrombamentos, assaltos constantes e medo rodam os comerciantes do Centro de Vila Velha, umas das principais áreas comerciais da cidade. Cansado de esperar por mais segurança na região, o engenheiro civil Ricardo Laranja Bosi se propôs a arcar com os custos da reforma do Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC), que funcionava como ponto de apoio da Polícia Militar no horário comercial e foi desativado por problemas de estrutura. O imóvel pertence à Prefeitura de Vila Velha. 

Bosi e mais 20 moradores e comerciantes fizeram um protesto na manhã deste sábado (25) pedindo o retorno da base fixa. O grupo fez uma caminhada na avenida Jerônimo Monteiro, junto com um trio elétrico, até a Praça Duque de Caxias, onde está localizado o imóvel do SAC.

Ricardo Laranja Bosi vai tirar do próprio bolso o dinheiro necessário para reformar o local onde funcionava uma espécie de base fixa da PM
Ricardo Laranja Bosi vai tirar do próprio bolso o dinheiro necessário para reformar o local onde funcionava uma espécie de base fixa da PM
Foto: Caíque Verli

Assim como vários outros moradores, a esposa de Ricardo foi assaltada na região, o que motivou o engenheiro a tomar a frente da reforma na unidade.

"Na verdade, nós estamos abandonados. O Centro está abandonado. Por isso eu fiz a proposta já que temos o imóvel. É um reparo elétrico, hidráulico, de telhado, pintura, é um vidro quebrado. Falta pouca coisa para a gente ter mais segurança no Centro de Vila Velha", afirma Ricardo.

A comunidade afirma que está esperando o retorno da unidade há dois anos e que a falta de um ponto fixo da PM na região deixa o bairro ainda mais vulnerável à ação de criminosos, como comenta a comerciante Maíra Cristina Sassi, que tem uma loja de aquários no local há mais de 15 anos.

"A gente vive com uma constante apreensão. É o tempo todo desse jeito. Até porque nós sabemos que o tempo de resposta da PM (para chegar em uma ocorrência) está muito demorado. Estamos com um déficit no policiamento do Centro", reclama.

A insegurança no bairro coloca em risco o funcionamento das lojas e a manutenção dos empregos, como alerta o presidente da Associação de Moradores do Centro de Vila Velha, Wolmar Medici.

"Muito em risco o funcionamento porque agora eles (os comerciantes) estão trabalhando com a porta fechada e contratando segurança, do próprio bolso, para poder trabalhar durante horário comercial", desabafa Wolmar.

A secretaria municipal de Defesa Social e Trânsito (Semdest) disse que acatou a proposta do morador e que vai se reunir novamente com a comunidade em setembro. Reforçou que já conversou com os moradores, que tiveram acesso ao local para ver o que precisa ser feito. A secretaria também destacou que tem interesse, caso haja consentimento da PM, em implantar uma base da Guarda Municipal em conjunto com a polícia no local. 

Já o tenente-coronel Biato, comandante do 4° Batalhão em Vila Velha, ponderou que o retorno da atividade da Polícia Militar no SAC requer bastante diálogo. "Vamos conversar com a comunidade, como sempre fazemos, para ver se o retorno é viável. Isso depende, por exemplo, se o imóvel está legalizado e se temos condições de manter um policiamento ali. Vamos verificar o número de ocorrências registradas já que a 1ª Companhia, que atende o Centro de Vila Velha, é responsável por outros bairros também. Além disso, a redondeza já conta com a ostensividade da Guarda Municipal e não posso ter uma sobreposição de policiamento", argumenta o comandante, que contou que deve marcar uma reunião com a comunidade nas próximas semanas.

Segundo o tenente-coronel, a atividade da PM no SAC foi interrompida porque o fornecimento de energia elétrica do espaço, que é da Prefeitura, foi cortado por falta de pagamento. "Precisaríamos definir também quem vai pagar os custos", complementa Biato.

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