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Empresas e rodoviários fazem acordo e greve chega ao fim

Apesar do fim oficial do movimento, ainda não está definido como será a retomada de 100% da frota nas ruas

Segundo dia da greve dos rodoviários. Coletivos voltando para a garagem, em Cariacica
Segundo dia da greve dos rodoviários. Coletivos voltando para a garagem, em Cariacica
Foto: Kaíque Dias

Após 40 horas de greve na Grande Vitória, com apenas 9% dos ônibus circulando durante esta terça-feira (04), a paralisação dos rodoviários chegou ao fim. Patrões e empregados firmaram acordo durante audiência de conciliação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-ES). A proposta feita pelo Ministério Público do Trabalho, de reajuste linear de 4,6% foi aceita pelo Sindirodoviários e GVBus, o sindicato patronal.

Os rodoviários aceitaram a proposta feita pelo procurador do Trabalho, Valério Heringer, que sugeriu 4,6% de reajuste nos salários, tíquete-alimentação, plano de saúde e seguro de vida. A proposta foi levada para votação dos trabalhadores, que aprovaram o reajuste durante assembleia realizada na Praça Oito, Centro. O GVBus também levou a proposta para os empresários, que deram aval para o acordo.

 

 

O ACORDO

Como parte do acordo, o Sindirodoviários ficou livre do pagamento de multa diária no valor de R$ 200 mil, pelo descumprimento da determinação da Justiça que dizia que durante o movimento grevista 70% dos ônibus deveriam circular nos horários de pico e 50% nos demais horários, como explicou o diretor executivo do GVBus, Elias Baltazar.

“O MPT, no conjunto da sua proposta, colocou a suspensão dos processos do dissídio coletivo. Como houve o acordo e isso era uma condicionante, esse dissídio está suspenso, até que as partes tragam a convenção coletiva assinada aos autos do processo”.

 

 

Momento em que rodoviários aceitam proposta de reajuste linear de 4,6%
Momento em que rodoviários aceitam proposta de reajuste linear de 4,6%
Foto: Patrícia Scalzer

Nesta terça, o Governo do Estado chegou a anunciar que iria pedir na Justiça o aumento de R$ 200 mil para R$ 500 mil por dia da multa a ser paga pelos rodoviários por descumprimento da ordem judicial, mas com o acordo, todas as ações sobre a greve foram suspensas. Os pontos dos trabalhadores não serão cortados.

Após o fim da reunião, o presidente do Sindirodoviários, José Carlos Salles Cardoso, voltou a afirmar que a determinação da Justiça foi cumprida durante a greve e que a paralisação de quase 100% da frota nesta terça não teve a participação do sindicato.

“O Sindirodoviários sempre tentou um acordo para não chegar a essa situação, sempre respeitando a liminar da Justiça. Mas chegamos a um ponto onde os rodoviários se rebelaram, mas desde já quero pedir desculpa para a população”, contou.

 

 

Segundo José Carlos, o acordo não atendeu o que a categoria pleiteava, mas foi um avanço. Os rodoviários queriam 4% de reajuste salarial referente a inflação do período, mais ganho real. Além disso, eles queria R$75 a mais no tíquete-alimentação e plano de saúde integral.

Atualmente, um motorista de ônibus recebe o salário de R$ 2.203,44. Com o reajuste esse valor será de R$ 2.304,80. O tíquete-alimentação que hoje é de R$ 696,28 será ajustado para R$728,26. O plano de saúde é participativo e varia de acordo com a faixa etária.

 

 

O reajuste será retroativo ao mês de novembro. No acordo, os rodoviários também aprovaram o desconto de 3% na folha de pagamento de janeiro, referente a taxa assistencial, para cobrir os gastos da negociação salarial.

Como é hoje

Salário de motorista: R$2.203,44

Valor do Tíquete: R$696,28

Plano de saúde: participativo. Valor varia de acordo com a faixa etária

Como ficou

Salário de motorista: R$ 2.304,80

Valor do Tíquete: R$ 728,26

Plano de saúde: parte paga pela empresa aumentou 4.6%.