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Mortes em Portocel: investigação particular aponta erro de comandante

Além do comandante do navio, investigação também aponta erro do imediato; houve divergências entre o que foi registrado na carta de bordo sobre a medição do nível de oxigênio

Sepetiba Bay em Portocel
Sepetiba Bay em Portocel
Foto: Foto do leitor

A Portocel informou nesta sexta-feira (21) que fez uma investigação particular sobre o acidente que matou três estivadores em julho deste ano. A conclusão foi que houve falha no processo de medição dos gases e de liberação do acesso ao navio, de responsabilidade do comandante e do imediato do navio Sepetiba Bay.

Na carta de bordo constava que a medição de oxigênio no porão tinha sido feita no dia do acidente, às 7h25, mas no equipamento constava a última medição dia 22, dois dias antes do acidente.

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Também tinham algumas rasuras no diário de bordo. A investigação foi concluída em agosto. A Portocel informou que só divulgou o resultado nesta sexta-feira (21) porque o processo deixou de ser segredo de Justiça.

OUTROS LAUDOS

Quase cinco meses depois da tragédia de Portocel, em Aracruz, a Polícia Civil ainda não divulgou as conclusões do laudo sobre as causas do acidente.

De acordo com uma fonte ligada à investigação do acidente que aconteceu no dia 24 de julho, o comandante, como responsável pelo local, não deveria ter liberado que os estivadores entrassem no porão do navio para realizar a retirada da madeira do cargueiro. Dos quatro trabalhadores que foram ao local, apenas um sobreviveu.

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A embarcação de origem libanesa e com tripulação indiana estava a serviço da Fibria, quando atracou no Norte do Estado carregado de madeira vinda de Barra do Ribeiro, no Rio Grande do Sul. A Fibria é a empresa controladora de Portocel.

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Quase um mês depois do acidente, no dia 21 de agosto, o comandante responsável pela embarcação, que não teve nome ou nacionalidade divulgados, teve o Passaporte apreendido pela polícia. Além do documento, também foi recolhido pelos investigadores o livro de registros do navio, onde constam todas as atividades realizadas no local no dia da tragédia.

De acordo com a fonte, o resultado do relatório do Ministério do Trabalho que indicava que o porão tinha concentração de apenas 5% de oxigênio não teria sido preciso pois a mediação dos níveis de gases presentes no local não foram realizadas assim que o acidente aconteceu.

Conforme o Gazeta Online divulgou no dia 23 de agosto, em condições normais, o porão do navio deveria ter 21% de oxigênio, mas, de acordo com a Fundacentro, órgão ligado ao Ministério do Trabalho, havia uma concentração de somente 5%. Por isso, o gás carbônico se espalhou no local, causando a tragédia.

A perícia do caso acredita que a causa do acidente foi a ausência de oxigênio ou a presença de gás tóxico.

Além do comandante do navio, a empresa contratante dos estivadores, Portocel, também deve ser responsabilizada pelo acidente, de acordo com o relatório do Ministério do Trabalho, já que a legislação brasileira prevê que a contratante é a responsável pelas ações preventivas de tal forma que o profissional realize sua atividade com garantia de sua segurança e saúde.

Ou seja, mesmo que os trabalhadores contratados não tenham carteira assinada, como é o caso dos estivadores avulsos, a empresa contratante precisa garantir as condições do local de trabalho onde estão inseridos, por meio do cumprimento de norma de segurança e saúde no trabalho e implementando todas as medidas e cautelas necessárias por precaução.

HISTÓRICO

O acidente aconteceu no Portocel, em Aracruz, no dia 24 de julho, quando quatro trabalhadores foram até o porão do navio Sepetiba Bay para iniciar o processo de descarga, mas desmaiaram ao chegar ao local. Três deles morreram e um conseguiu ser salvo. Luiz Carlos Milagres, Adenilson Rodrigues de Carvalho e Clóvis Lira da Silva foram as vítimas. Já o quarto, Vitor Souza Olmo, foi resgatado com vida.

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