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Cai número de pulos e Transcol deve ter mais ônibus com "roletão"

O número de catracas altas - ou roletão - ainda é pequeno na frota que opera o Sistema Transcol. Dos 1426 veículos, apenas 268 contam com as roletas duplas

Modelo de roleta alta utilizada em ônibus do Transcol. Medida reduziu em 92% o pulo de roleta nos coletivos, segundo GVBus.
Modelo de roleta alta utilizada em ônibus do Transcol. Medida reduziu em 92% o pulo de roleta nos coletivos, segundo GVBus.
Foto: Divulgação / Ceturb

Alvo de reclamação de diversos usuários, a roleta alta instalada em ônibus do sistema Transcol está se mostrando eficiente ao evitar os famosos pulos sem o pagamento da passagem. A afirmação é do Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória (GVBus), que registrou redução de 92% no número de pulos de roleta nos coletivos em que o chamado “roletão” está instalado desde o início da implantação, em 2016. E a expectativa é que o equipamento seja instalado num número maior de veículos da frota.

Ainda segundo dados da entidade, dos 468 assaltos registrados em ônibus em 2018 – 26% a menos do que 2017 –, 44 aconteceram em veículos com a roleta dupla. No entanto, o número de catracas altas ainda é pequeno na frota do Transcol. Dos 1.426 veículos, apenas 268 contam com as roletas duplas - o que corresponde a 18%.

Ainda assim, o diretor executivo do GVBus, Elias Baltazar, afirma que caiu o número de coletivos alvos de assaltantes, principalmente aqueles que tem o "roletão".

“Como a quantidade de roleta dupla é menor que a quantidade de roleta baixa, se for proporcionalizar, houve uma redução de assaltos naquelas roletas (altas) de 50% em relação às roletas baixas. A gente pode afirmar que, no caso dos carro com as roletas altas, 50% das possíveis ocorrências não aconteceram”, destacou.

O diretor do GVBus, Elias Baltazar, afirma que assaltos em ônibus com roleta alta diminuíram 50%.
O diretor do GVBus, Elias Baltazar, afirma que assaltos em ônibus com roleta alta diminuíram 50%.
Foto: José Carlos Schaeffer

Quanto a instalação de mais roletas altas, Baltazar afirma que objetivo das empresas é contemplar 100% da frota. Para isso, é necessária uma liberação da Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Espírito Santo (Ceturb-ES), mediante resultados que comprovem a eficiência das roletas mais altas.

“Nós já fizemos esse encaminhamento para a Ceturb e estamos aguardando o retorno com a liberação para reiniciar o processo de instalação. Assim que a Ceturb liberar, as empresas retomarão as instalação”, disse.

Outro ponto destacado pelo diretor é o combate à evasão de receitas, segundo ele, também contemplado pelo “roletão”. Baltazar afirma que passageiros que pagam a tarifa normalmente são prejudicados pelos que pulam a roleta.

“É importante deixar claro que o sistema de transporte tem seu preço definido em razão da quantidade de pessoas que usam o transporte coletivo. Quanto maior a quantidade pagante no sistema, menor pode ser o valor da tarifa. Então, cada pessoa daquela que pula roleta ou que usa outro artifício para não pagar passagem, ela está onerando os demais usuários. Ela dá um prejuízo imediato para as empresas, mas um prejuízo secundário e permanente para os outros usuários”, explicou.

NORMAS DE SEGURANÇA

Em alguns coletivos, a roleta precisou ser adaptada. Isso porque a saída de emergência do teto, que também serve como ventilação, estava sendo obstruída em algumas situações. O diretor do GVBus afirmou que, para a instalação nos próximos ou novos veículos, não haverá este problema.

“Para as próximas carrocerias que iremos comprar, a gente já vai pedir uma alteração do posicionamento do próprio alçapão para deixar ele livre, independente da posição da catraca. Nas frotas já existentes nós vamos adaptar as catracas no sentido de deixar todos os alçapões livres”, completou.

USUÁRIOS

Já quem utiliza os ônibus do sistema Transcol todos os dias reclama da dificuldade em passar pelo “roletão”. O embalador Elizeu Conceição Junior, 34, diz que é difícil passar pela roleta quando se carrega bagagem ou sacolas.

“Às vezes a gente vai passar com bolsas, malas, compras de supermercado, você não consegue passar. De ter menos gente pulando roleta, até tem. Mas, quando abrem as portas do meio, eles entram por lá. Então, não resolve nada”, contou.

O embalador Elizeu Conceição não vê efetividade do "roletão" contra quem não paga passagem. "Quando abrem as portas do meio, eles entram por lá. Então, não resolve nada", contou.
O embalador Elizeu Conceição não vê efetividade do "roletão" contra quem não paga passagem. "Quando abrem as portas do meio, eles entram por lá. Então, não resolve nada", contou.
Foto: José Carlos Schaeffer

A auxiliar de serviços gerais, Odete dos Santos, 37, reitera a dificuldade em passar pela roleta e afirma que o necessário seria mais policiamento nos coletivos.

“Ela é horrível para passar com a bolsa, atrapalha. Eu acho que precisa de policiamento, mais segurança para o motorista, cobrador, e nós mesmos que somos usuários”, explicou.

A auxiliar de serviços gerais, Odete dos Santos, diz que é difícil passar pela roleta com bolsas.
A auxiliar de serviços gerais, Odete dos Santos, diz que é difícil passar pela roleta com bolsas.
Foto: José Carlos Schaeffer

PRAZO

Sobre a instalação de mais roletas, a Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Espírito Santo (Ceturb-ES) respondeu, por nota, que os pedidos são avaliados pelo órgão. No entanto, não informou o prazo para que isso aconteça.

Quanto às adaptações das catracas em posição irregular, o órgão afirmou que “por conta de diferenças na carroceria, tiveram que passar por adaptações para não obstruir os alçapões que, além de ventilar, são saídas de emergência. Apenas dois desses ainda precisam de finalizar a adaptação”.

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