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De reforma a festa de casamento: consórcio de serviços amplia mercado

Os interessados devem pesquisar e confirmar que as empresas são habilitadas para oferecer o consórcio

Tesouro quitou no ano R$ 4,19 bi de estados e municípios inadimplentes
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Foto: Reprodução/Pixabay

Quando se fala em compra de algum bem por consórcio logo se pensa na compra de um carro ou casa a longo prazo. As parcelas mês a mês, a tentativa de arremate do crédito por lance ou a sorte de ser contemplado. Da mesma forma, uma nova modalidade vêm conquistando o seu espaço nos últimos meses: o consórcio de serviços. Consumidores em busca de recursos para pequenas reformas residenciais, festas de aniversário e casamento, viagens e até cirurgias plásticas se tornaram frequentes em empresas que oferecem a forma de contratação do crédito.

De acordo com o diretor Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) - regional Sudeste II, Robson Amorim, a flexibilidade é que o atrai cada vez mais interessados para esta modalidade.

“É diferente do consórcio de imóvel ou automóvel. Se você compra um (consórcio) de imóvel, lá na frente você não pode comprar um automóvel. Na prestação de serviço, é muito mais abrangente. Você pode utilizar para festa de casamento, formatura, viagem, educação, intercâmbio, cirurgia plástica, tratamento odontológico, para várias coisas”, destacou.

De janeiro a outubro de 2018, esse modelo de contratação apresentou o maior aumento percentual entre todos os outros ramos de consórcios. Foram vendidas 39,2 mil cotas em todo o país, contra as 26,7 mil do mesmo período em 2017: uma alta de 46,8%. Em números absolutos, foram R$ 110 milhões de reais disponibilizados por meio da contemplação (quando uma cota é liberada para uso pelo cliente). Na sequência, os outros segmentos que apresentaram alta foram os de eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis (29,5%) e veículos pesados (23,2%). Os números são da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC).

CRÉDITO

Robson de Amorim explica os pontos de atenção que o consumidor deve lembrar ao contratar um consórcio
Robson de Amorim explica os pontos de atenção que o consumidor deve lembrar ao contratar um consórcio
Foto: José Carlos Schaeffer

Robson Amorim explica como é feita a utilização do crédito nesta modalidade: a empresa que promove o consórcio solicita uma documentação para, aí sim, realizar o pagamento do serviço requerido pelo contemplado.

“Na hora que ela definir o objetivo dela naquele momento da contemplação, nós vamos ter que dizer o que vai ser feito. Qualquer administradora segue o mesmo padrão. Vai ter que apresentar determinados tipo de documento para poder ser feito. De modo geral, é a nota fiscal do terceiro prestando aquele serviço”, disse.

Assim como nos outros segmentos, em caso de impossibilidade para pagamento das parcelas o consumidor passa a concorrer no sorteio de excluídos. Nesta parte, a pessoa contemplada recebe o valor pago com descontos de penalidades previstas em contrato.

“Ela passa a ser uma pessoa 'excluída' do grupo, a partir daquele momento que ela foi excluída por inadimplência ou vontade própria, por perda de emprego, por exemplo. Aí ela vai participar todo mês do sorteio do excluído. Se ela for contemplada, ela vai receber em espécie o valor deduzidas as penalidades do grupo e da administradora”, explicou o diretor.

EMPRESAS

O diretor ressalta que, antes de firmar qualquer acordo, os interessados devem pesquisar e confirmar que as empresas são habilitadas para oferecer o consórcio.

“É fundamental buscar saber se a administradora é, de fato, autorizada pelo Banco Central, buscar mais informações na Associação Brasileira das Administradoras de Consórcio (ABAC), e ler o contrato como um todo, porque o contrato é bem claro em todos os direitos e deveres das partes”, completou.

A duração dos consórcio é de 36 meses, em média, com valores de crédito que vão de R$ 7,5 mil a R$ 25 mil.

QUANDO VALE A PENA?

O economista Mário Vasconcelos afirma que o consórcio é para situações planejadas. E, que antes de tudo, é preciso observar se a taxa de administração da empresa que oferece o serviço, não é maior que a taxa de juros de um financiamento, por exemplo.

“Quando a pessoa precisa fazer a reforma da casa ou algo de curto prazo, o consórcio fica mais complicado. Ela vai acabar buscando outro tipo de crédito. Agora se a pessoa não tem pressa, como para uma reforma ou uma cirurgia plástica planejada, contratar o consórcio é interessante, porque ele acaba sendo uma poupança 'forçada' para fazer alguma coisa. Mas, primeiro, tem que fazer uma comparação da taxa de administração do consórcio e, por exemplo, a taxa de juros de um financiamento, para ver qual vale a pena”, explicou.

CUIDADOS

Ler o contrato é fundamental antes de fechar qualquer negócio. Vasconcelos frisa que a emoção de fechar um longo contrato não pode se sobrepor aos detalhes do processo.

“Não pode ser uma coisa feita de forma emocional. Você tem que analisar o contrato, ver as condições. Por exemplo, se em um determinado mês atrasar a prestação, o que acontece? Você talvez não participe do sorteio. Ou se dando um lance e não sendo contemplado, esse dinheiro precisa ser integralizado ou não?”, disse.

Pesquisar a empresa e bancos envolvidos também é imprescindível para quem procura um consórcio. Conversar com outros membros do grupo para observar possíveis irregularidades pode ser uma das opções, como destaca o economista.

“Outro ponto interessante é verificar qual é a operadora, o banco, a instituição que está por trás do consórcio. Para não se aborrecer no futuro. Saber se realmente as pessoas que estão naquele consórcio, ou fizeram consórcio naquela empresa tiveram algum tipo de problema”, explicou.

A pesquisa de administradoras de consórcios habilitadas para oferecer os serviços pode ser feita no site do Banco Central, no www.bcb.gov.br

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