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Sindicato diz que postos mantidos na Samarco estão no 'limite mínimo'

O secretário estadual de Desenvolvimento, Héber Resende, afirmou que a situação de indefinição sobre o retorno da mineradora é preocupante

Samarco
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Foto: Marcelo Prest | GZ

Após o anúncio da acionista BHP de que a ativação da planta industrial da Samarco não será possível devido ao fracasso das negociações de dívidas com credores, o sindicato que representa os trabalhadores da mineradora no Espírito Santo informa que isso provoca incertezas em torno do retorno dos trabalhos na planta de Anchieta - paralisada desde 2015, após o desastre de Mariana.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos no Espírito Santo (Sindimetal-ES), Max Célio de Carvalho, afirmou que desde o rompimento da barragem de Fundão, a mineradora demitiu mais de dois mil funcionários entre diretos e terceirizados. Atualmente, são 480 empregados que, para ele, é o limite para as pretensões de retomada de operações pela empresa.

“O impacto maior é o mesmo desde o momento do acidente: a redução de postos de trabalho. Se chegou em um limite mínimo de postos possíveis, já que a empresa tem a intenção de retomar as atividades com uma usina só, o número de trabalhadores que tem lá é para garantir a operação e manutenção dessa usina. O impacto maior é que a gente vai postergando a recuperação dos postos de trabalho”, explicou.

O presidente do Sindimetal-ES, Max Célio de Carvalho, afirmou que a notícia impacta na perspectiva de retomada dos postos de trabalho.
O presidente do Sindimetal-ES, Max Célio de Carvalho, afirmou que a notícia impacta na perspectiva de retomada dos postos de trabalho.
Foto: José Carlos Schaeffer

O secretário estadual de Desenvolvimento, Héber Resende, afirmou que a situação é preocupante. “Nosso posicionamento é de preocupação com a possibilidade de perdermos investimentos para o Espírito Santo, seja ele da Samarco ou de qualquer outro que deixe de gerar desenvolvimento para os capixabas”, destacou.

Resende se mostrou favorável ao retorno das operações, desde que as obrigações ambientais, econômicas e sociais sejam cumpridas. “Somos favoráveis ao retorno da companhia, obviamente, desde que atendidos não só os critérios econômicos, mas também as condicionantes ambientais e os relacionados à preservação da vida e o bem-estar da população, pois, desenvolvimento não pode ser algo dissociado da sustentabilidade”, completou.

A prefeitura de Anchieta foi procurada para se pronunciar sobre os impactos do adiamento do retorno das operações por parte da mineradora, mas informou que não iria se posicionar.

A EMPRESA

Mesmo com o anúncio da acionista da não renegociação das dívidas com os credores, a Samarco informou, por nota, que “vai continuar trabalhando no processo de retomada gradual de suas operações com segurança e de forma responsável, o que inclui a reestruturação de sua dívida”.

Sobre o processo de licenciamentos ambientais necessários para o retorno das atividades, disse que “estão em andamento e serão utilizadas novas tecnologias que trazem mais segurança e menor impacto ambiental, como a disposição dos rejeitos na cava de Alegria Sul, que está em obras, e a implementação de um sistema de filtragem”. E completou, que “todo o processo para a volta das atividades está sendo acompanhado pelos órgãos competentes”.

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