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Caso Denadai: julgamento de acusado de matar advogado é adiado

PM da reserva é acusado de matar o advogado Joaquim Marcelo Denadai, que morreu em abril de 2002, em Vila Velha

Previsto para ter início na manhã desta segunda-feira (11), o julgamento do policial militar da reserva, Dalberto Antunes da Cunha, foi adiado pela Justiça e não tem data prevista para acontecer. Dalberto é acusado de matar o advogado Joaquim Marcelo Denadai, em abril de 2002, em um caso que teve grande repercussão no Espírito Santo.

O adiamento aconteceu porque a defesa de Dalberto alegou insanidade metal do policial. Por conta da alegação da defesa, a Justiça determinou que o acusado passe por avaliação de um psiquiatra perito. Só depois da realização da perícia será decidido para quando o julgamento será remarcado.

A advogada Aparecida Denadai, irmã do advogado assassinado em 2002, disse que foi ao Fórum de Vila Velha, onde aconteceria o julgamento, e que ficou surpresa com o adiamento. 

"Compareci, mas fui surpreendida com essa péssima notícia. A gente já espera 17 anos por um julgamento", disse a irmã da vítima.

O advogado Joaquim Marcelo Denadai foi morto com três tiros na Praia da Costa, em Vila Velha. De acordo com a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), o crime teria sido motivado por irregularidades investigadas pelo advogado Denadai que envolviam uma empresa de limpeza de propriedade de Sebastião Pagotto, em contratos para prestação de serviços em Vitória. O empresário Pagotto, segundo a acusação, teria mandado matar Denadai para evitar que um esquema de licitações supostamente fraudulentas viesse à tona.

Acusado de ser o mandante do assassinato, o empresário Sebastião de Souza Pagotto foi preso somente em junho de 2018, depois de condenado em 2012 a 17 anos e dez meses de prisão. Pagotto permanecia em liberdade em virtude de inúmeros recursos. Em 2015, a Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) negou o pedido da defesa de Pagotto e manteve a condenação do empresário.

Responsável pela estratégia de defesa de Dalberto Antunes da Cunha, o advogado Marcos Farizel confia que o seu cliente será declarado com insanidade mental. Sendo assim, mesmo que Dalberto fosse considerado culpado, não cumpriria pena em regime fechado num presídio, explicou. 

"Se condenado, ele seria submetido a um tratamento que os peritos indicarem. Ele não seria preso em regime fechado, não iria para o sistema prisional. Seria encaminhado para fazer o tratamento de medida de segurança que a legislação fala. Como é direito dele, a defesa aproveitou e fez o requerimento", enfatiza Farizel.

A defesa de Dalberto acredita que deverá demorar mais de um ano entre a análise dos peritos e o agendamento de um novo julgamento do caso. 

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