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Cresce inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho

A contratação de pessoas com deficiência bateu recorde no Brasil em 2018, com 46,9 mil admissões, mas as barreiras ainda são grandes

Apesar da lei de cotas determinar que as empresas com mais de 100 funcionários devem reservar vagas para profissionais com deficiência, a inclusão dessas pessoas no mercado de trabalho e o crescimento profissional sempre foi um grande desafio, que esbarra muitas vezes no preconceito.

Mas no Espírito Santo o cumprimento da legislação vem avançando e no ano passado atingiu a melhor média nacional entre os demais estados. Foram 46,9 mil admissões em todo o país. No Espírito Santo, foram 666 contratações em 2018, quando quase 70% das vagas que devem ser reservadas foram preenchidas, enquanto que no resto do Brasil a média foi de 40% da cota cumprida.

Em 2017, no Espírito Santo, os números apontavam para 596 pessoas com deficiência contratadas no mercado de trabalho e em 2016, 575 trabalhadores.

A lei de cotas no Brasil estabelece que empresas com mais de 100 funcionários precisam ter em seu quadro ao menos 2% de trabalhadores com deficiência.

O percentual aumenta de acordo com a quantidade de funcionários, chegando a 5% para companhias com mais de 1.000 funcionários. Para o serviço público, a lei determina que sejam reservadas até 20% das vagas de concurso público para pessoas com deficiência.

O psicólogo Felipe Monechi Fernandes alerta, porém, para o preconceito que essas pessoas com deficiência, mesmo inseridas no mercado de trabalho, enfrentam dentro de algumas empresas, que não dão chances para que esses funcionários sejam promovidos, por exemplo.

"O que a gente observa na maioria das empresas é que as pessoas com deficiência acabam não tendo a mesma oportunidade após contratado. Oferece-se a contratação apenas para o cumprimento da cota", destaca o psicólogo.

A assistente de recursos humanos Jéssica Monteiro da Costa chegou a desistir de participar de processos seletivos para PCDs por medo de preconceito
A assistente de recursos humanos Jéssica Monteiro da Costa chegou a desistir de participar de processos seletivos para PCDs por medo de preconceito
Foto: Caíque Verli

É isso que levou a assistente de recursos humanos Jéssica Monteiro da Costa, a desistir de participar de muitos processos seletivos de vagas reservadas para pessoas com deficiência e preferir participar da ampla concorrência. Depois de desistir algumas vezes, ela, com deficiência visual, conseguiu uma vaga em um plano de saúde no Espírito Santo.

"Antes eu tinha muito medo, devido a certo preconceito que existe de algumas pessoas, de que o deficiente é limitado, só serve para tirar cópias. Tinha medo de entrar em uma empresa e não me desenvolver", comentou.

Auditora fiscal da Superintendência Regional do Trabalho, Maria Eliza Tavares Martins, coordena um projeto de inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho e diz que o órgão fiscaliza as empresas que discriminam esses trabalhadores.

"A fiscalização mapeia essas empresas, verifica se elas estão cumprindo as normas e cobra esse posicionamento. Se ela não se adequar, vai receber uma multa que varia conforme o número de empregados que a empresa tem e se ela é reincidente ou não".

O analista de comunicação Beethoven Belém destaca importância da lei de cotas
O analista de comunicação Beethoven Belém destaca importância da lei de cotas
Foto: Caíque Verli

O analista de comunicação Bethoven Belém destaca a importância da lei de cotas. Ele, com deficiência física, diz que a legislação ajuda a reduzir uma desigualdade histórica.

"A gente tem historicamente uma dívida com negros, deficientes devido à diferença do respeito e da igualdade social. A partir do momento que as empresas prezam por isso, de colocar essas pessoas no mercado de trabalho, é muito importante para a causa", opina.

No Espírito Santo, em 2017, a Superintendência Regional do Trabalho, antes vinculada ao Ministério do Trabalho e hoje ao Ministério da Economia, fez 137 fiscalizações e 21 autos de infração contra empresas por descumprimento das cotas de pessoas com deficiência no Estado. As multas variam de R$ 2.331,32 até o teto de R$ 231.130,50 por cada vaga reservada não preenchida.

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