Notícia

Escola funciona sem alvará do Corpo de Bombeiros em Vale Encantado

A informação foi confirmada pela própria corporação após uma vistoria realizada nesta terça-feira (12). A prefeitura foi notificada e tem um prazo de 30 dias para regularização

Fachada da UMEF Professora Emília do Espírito Santo Carneiro no bairro Vale Encantado, em Vila Velha. De acordo com o Corpo de Bombeiros, local não tem alvará da corporação contra incêndio e pânico.
Fachada da UMEF Professora Emília do Espírito Santo Carneiro no bairro Vale Encantado, em Vila Velha. De acordo com o Corpo de Bombeiros, local não tem alvará da corporação contra incêndio e pânico.
Foto: José Carlos Schaeffer

Alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Emília do Espírito Santo Carneiro, no bairro Vale Encantado, em Vila Velha, estudam em um local que não possui alvará de licença do Corpo de Bombeiros. A informação foi confirmada pela própria corporação após uma vistoria realizada nesta terça-feira (12). A prefeitura foi notificada e tem um prazo de 30 dias para regularização.

Segundo o tenente-coronel Carlos Wagner, a escola não possuía a documentação necessária que comprovasse a segurança em situações de incêndio e pânico.

“Encontramos em funcionamento uma escola do poder público municipal de Vila Velha sem a documentação necessária para que tivesse sendo utilizada para finalidade ao qual estava, no caso aula com as crianças, sendo cerca de 150 crianças por turno. Isso faz com que haja um risco para aquelas crianças, uma vez que não sabemos ao certo se aquela edificação atende todas as normas contra incêndio e pânico”, disse.

Questionado sobre o risco aos alunos, Carlos Wagner afirmou que não se sabe se a escola possui a estrutura adequada para o socorro.

“Não podemos afirmar que estão correndo risco. Nós podemos afirmar que, caso ocorra algum princípio de incêndio, algum tumulto na área da escola, caso seja necessário a retirada rápida daquelas crianças, nós não sabemos se aquele local tem rota de fuga adequada e se tem os equipamentos necessários ao combate imediato daquele incêndio, caso ocorra”.

Ainda segundo o tenente-coronel, caso a prefeitura não solicite a vistoria para adequação dentro do prazo, a escola pode ser interditada.

“Tem que ser feito em até 30 dias. Após o prazo, se não for cumprido, nós temos algumas opções como, por exemplo, encaminhar cópia da notificação ao Ministério Público do Espírito Santo, fazer a interdição da escola e até mesmo um auto de infração para a prefeitura municipal”, completou.

PREOCUPAÇÃO

Além do prédio estrutural, a escola conta com módulos metálicos onde 300 alunos do primeiro e segundo ano tem aula diariamente, sendo 150 no período matutino e 150 no período vespertino. As crianças ficam divididas em seis salas de aula com um aparelho de ar-condicionado em cada. Segundo funcionários da unidade, as estruturas foram instaladas de forma provisória há oito anos.

Estruturas metálicas que servem como sala de aula para alunos da UMEF Professora Emília do Espírito Santo Carneiro, em Vale Encantado.
Estruturas metálicas que servem como sala de aula para alunos da UMEF Professora Emília do Espírito Santo Carneiro, em Vale Encantado.
Foto: José Carlos Schaeffer

Pais de novos alunos demonstraram preocupação com os módulos metálicos após os últimos acontecimentos de incêndio em estruturas semelhantes, principalmente o incêndio que vitimou 10 jogadores das categorias de base do Flamengo, no Rio de Janeiro.

O autônomo Rodrigo dos Santos tem um filho de seis anos que começou a estudar na escola este ano. Ao constatar os módulos metálicos, ele procurou a diretora da escola para saber se a unidade havia passado por vistorias que comprovassem a segurança das estruturas. A falta de resposta causou indignação.

“Perguntei para ela se tinha alvarás, licenças, vistorias do Corpo de Bombeiros e ela disse que, se tivesse, estaria em poder da prefeitura. Ela falou que os módulos tem oito anos, e eu falei que no Rio também tinha oito anos. Ela disse que trocam o gás, fazem a limpeza do filtro do ar-condicionado. Eu falei que isso não é parte elétrica, que a parte elétrica é interna, e se acontecer pega fogo em tudo, não dá tempo pois são crianças menores”, destacou.

Por nota, a prefeitura de Vila Velha, por meio da Secretaria Municipal de Educação, disse que enviou uma equipe de engenheiros elétricos a Unidade, na tarde desta terça-feira (12), com o objetivo de realizar uma vistoria mais detalhada e avaliar todas as adaptações da escola de forma preventiva. A Secretaria ainda informou que vistorias periódicas são realizadas em todas as unidades do município, de forma constante, para garantir e manter as instalações em segurança para uso.

Sobre as estruturas de metal sendo utilizadas pelos alunos, a prefeitura informou que esse tipo de módulo foi implantado por administrações anteriores e tem uma função provisória. Disse ainda que tem a intenção de construir uma nova escola, no mesmo terreno, para substituir as instalações atuais. O projeto já foi elaborado e a licitação tem previsão para ser realizada até o mês de abril.

Questionada sobre o não registro da escola junto ao Corpo de Bombeiros, já na parte da noite, a prefeitura afirmou que teria respostas apenas nesta quarta-feira (13).

Ver comentários