Notícia

Por falta de médicos, doentes com HIV podem ficar sem remédios

No Centro de Referência para o o Tratamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis, em Cariacica, apenas dois médicos estão atendendo e não consegue dar conta de toda a demanda

Leandro de Paula faz tratamento no centro, em Cariacica
Leandro de Paula faz tratamento no centro, em Cariacica
Foto: Caíque Verli

Pacientes com HIV que moram em Cariacica estão enfrentando dificuldades para conseguir tratamento. Isso porque o Centro de Referência para o Tratamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis, localizado em Campo Grande, está com apenas dois médicos que não conseguem dar conta de toda a demanda - atualmente, 1420 pessoas com HIV fazem tratamento na unidade, que também não tem médico infectologista, a especialidade mais indicada para acompanhar os pacientes. 

Segundo a Rede Nacional das Pessoas Vivendo com HIV e Aids no Espírito Santo, o local deveria ter 7 médicos, conforme preconiza o Ministério da Saúde.

Com a demora no atendimento, Leandro de Paula, de 33 anos, membro da rede que faz tratamento na unidade, conta que pacientes não conseguem retirar os medicamentos.

"Você não tendo médico para liberar essa receita, você corre o risco de não conseguir pegar o medicamento. Ou seja, fica fora do tratamento e na zona de risco para sair do HIV, um soropositivo indetectável, e e entrar na Aids", criticou Leandro.

O HIV é o vírus da imunodeficiência humana, causador da doença Aids, que ataca o sistema imunológico e afeta a capacidade de o organismo se defender. Com acompanhamento médico, o paciente consegue controlar a carga viral e não desenvolver a doença. O tratamento, porém, não pode ser interrompido.

 

O problema em Cariacica não está somente na falta de médico. Sidney Parreira, que faz tratamento na rede pública municipal da cidade e representa aqui no Espírito Santo a Rede Nacional de Pessoas com HIV, relata que também faltam materiais básicos, como tubos usados para fazer exames nos pacientes. "Isso tem deixado os pacientes bem preocupados porque é um exame que mostra se o remédio está fazendo efeito e se está tudo bem com ele em relação ao HIV", relatou.

A Prefeitura de Cariacica admite que a quantidade de médicos não é suficiente, tanto que chegou a abrir processo seletivo para contratar um infectologista para o centro. No entanto, não apareceu candidato, segundo a secretária municipal de Saúde, Elizabeth Albuquerque.

"Uma maneira da gente amenizar é não colocar infectologista, mas colocar médico de outra especialidade que também tenha uma formação clínica", comentou.

Segundo a secretária, em aproximadamente um mês, a prefeitura deve abrir um novo chamamento para contratar médicos de outras especialidades. Sobre a falta de tubos para exames nos pacientes, ela garantiu que o problema já foi resolvido com a compra de outros materiais.

Ver comentários