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Saque FGTS: Moradores de Vila Velha reclamam por não estarem na lista

Moradores de áreas que sofrem com constantes alagamentos reclamam que as ruas onde moram foram contemplados em lista da prefeitura. Administração afirma que lista foi feita com base em chamados e atendimentos realizados pela Defesa Civil

Fila para saque do FGTS em Vila Velha
Fila para saque do FGTS em Vila Velha
Foto: Patrícia Scalzer

Moradores de áreas que alagam em épocas de chuva questionam a prefeitura de Vila Velha por qual motivo as ruas onde eles moram estarem ausentes da lista de contemplados pelo benefício de sacar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). A possibilidade do saque é dada para aqueles tiveram prejuízos com as fortes chuvas que atingiram Vila Velha em novembro de 2018. Até a próxima sexta-feira (15), cerca de 10 mil pessoas devem solicitar a prefeitura a comprovação de residência nas áreas afetadas para realizar o saque. Mas, munícipes de áreas que sofrem alagamentos frequentes reclamam de não estarem contemplados.

Desde a última quarta-feira (6), pessoas que moram em ruas classificadas pela Defesa Civil como áreas afetadas pela chuva estão solicitando a declaração para a retirada do FGTS na Caixa Econômica Federal. Os endereços com os bairros e nomes das ruas estão disponíveis no site da Prefeitura.

No entanto, alguns moradores que sofrem com constantes alagamentos reclamam de que suas ruas não foram contemplados na lista. É o caso da manicure Marluce Meirelles, 63, que mora no bairro Cristóvão Colombo e afirma que sofre com problemas de alagamentos há muitos anos. Ela conta que já fez medidas paliativas como a implantação de uma barreira no portão e a elevação de móveis e outros, mas o transtorno é frequente.

“Meu sofá está estragado, dois móveis da cozinha, o móvel de colocar perfume, tudo estragado, desmanchando por conta da chuva. Quando chove alaga, se demora um pouquinho e não vem alguém para ajudar a levantar, molha um pouco e estraga”, disse.

Mesmo com os prejuízos constantes, ela lamenta que a rua em que mora não foi contemplada.

“Apesar de todas as fotos, de tudo que a gente tem perde aqui, a rua não foi contemplada. A gente não está amparado pela lei, eu creio. Fazer o quê? A gente vai ter que morrer afogado para provar que a rua enche?”, lamentou.

No portão da casa da manicure Marluce Meirelles foi colocada uma comporta para evitar a entrada de água oriunda dos alagamentos
No portão da casa da manicure Marluce Meirelles foi colocada uma comporta para evitar a entrada de água oriunda dos alagamentos
Foto: José Carlos Schaeffer

O secretário de Trânsito e Defesa Social de Vila Velha, Oberacy Emmerich, explicou que para a liberação do recurso, a Caixa exige uma série de formulários indicando cada endereço prejudicado, e para o preenchimento, a administração municipal buscou registros de atendimentos realizados a época das chuvas para a inclusão.

Com isso, locais em que houve alagamento mas as pessoas não registraram os danos junto a Defesa Civil ou aos outros órgãos de proteção, não foram incluídos.

“Se o morador registrou lá atrás e os órgãos de proteção Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Polícia Militar tem esse registro, aí eu consigo. Se eu não tenho esse registro lá de trás que ele se sentiu afetado, se sentiu em situação de socorro, eu não consigo emitir um laudo retroativo, nenhum engenheiro faz isso”, explicou.

O vereador Arnaldinho Borgo (MDB) encaminhou um ofício à Prefeitura de Vila Velha solicitando que a administração refaça o estudo que definiu as áreas atingidas pela chuvas de novembro de 2018. O secretário informou que o pedido não foi recebido de forma oficial, mas que não há a possibilidade de refazer o trabalho.

“Não é possível que a Defesa Civil faça um laudo retroativo. Não teria valor nenhum, mesmo que a gente fizesse, porque o laudo de constatação de desastre tem que ser feito no momento em que o desastre está acontecendo ou imediatamente após o desastre. Depois que as ruas secaram eu não tenho como emitir um laudo de constatação de qualquer coisa, principalmente de alagamentos”, destacou.

O prazo para que os moradores retirem a declaração junto a prefeitura vence nesta sexta-feira (15). Segundo Oberacy Emmerich, aproximadamente 8 mil pessoas já foram atendidas e a expectativa é de que cerca de 10 mil consigam a declaração e posteriormente sacar o benefício.

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