Notícia

Serviços de urgência recebem mais de 250 trotes por dia no ES

Serviço de atendimento para urgências e emergências recebeu 94 mil trotes em 2018

O primeiro dia de abril é popularmente conhecido como o “Dia da Mentira”. Muitas pessoas aproveitam a data para fazer brincadeiras com os amigos, mas as histórias são desmentidas logo depois do susto inicial. No entanto, centenas de mentiras contadas diariamente têm colocado em risco a vida de capixabas que dependem dos atendimentos de urgência e emergência disponibilizados pelo Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes), como polícia e bombeiros.

Um levantamento do Ciodes aponta que 13% das 730 mil ligações atendidas pelo serviço em 2018 foram trotes. Um total de 94 mil trotes ao longo de todo ano - cerca de 257 ligações por dia. São, geralmente, pessoas que fazem brincadeiras de mau gosto e comunicam crimes ou ocorrências que não existem. 

A média de trotes por dia foi ainda maior em 2017, com 302 acionamentos diários falsos. Em 2016, ano que o levantamento começou a ser divulgado, foram 736 mil ligações durante todo o ano, com uma média de 221 trotes por dia.

O major da Polícia Militar, Fabiano Soares, atua no Ciodes e destaca que o grande número de trotes que o setor recebe prejudica no atendimento de pessoas que realmente precisam de socorro com urgência.

"Nós somos um serviço de atendimento para urgência e emergência. Um atendimento de algo que é real e que pode desencadear uma agressão ou uma vítima de homicídio pode deixar de ser atendida porque a viatura foi desviada para uma ocorrência que depois se constata que era um trote. Quando falamos em nível de vida humano, o trote é algo muito sério", alertou o major Fabiano.

 

Passar trotes para comunicar falsos crimes ou contravenções é crime com pena de detenção de um a seis meses, ou multa. No entanto, o major Fabiano destacou que a investigação em busca das pessoas que passam trote também prejudicaria o atendimento dos casos de emergência, uma vez que policiais e veículos seriam deslocados em busca de quem cometeu o ato irregular. Na avaliação do militar, a conscientização dos jovens e adultos para as consequências das ligações é a principal saída para acabar com o problema.

Ver comentários