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Amor sem distância: avó aprende alemão para conversar com neta

E pequena Hannah, de 5 anos, cresceu com o pai na Alemanha após a morte da mãe brasileira. Para estar presente e acompanhar melhor o crescimento da neta, a avó Carmen resolveu aprender o idioma europeu

A Carmen faz as aulas de alemão duas vezes por semana no Centro de Línguas da Ufes
A Carmen faz as aulas de alemão duas vezes por semana no Centro de Línguas da Ufes
Foto: José Carlos Schaeffer

Para muitos, fazer um curso de idiomas pode ser um instrumento de qualificação profissional, enriquecimento cultural ou até mesmo por uma oportunidade. Para a nutricionista Carmen Rosa da Cunha, de 62 anos, foi uma forma de estar presente na vida e no crescimento da neta, a pequena Hannah, de 5 anos, que mora na Alemanha. Em “encontros” semanais feitos pela internet, as duas mantém vivo o laço familiar.

Essa iniciativa da Carmen em aprender o alemão se deu em uma história de muita superação. A filha mais velha dela, mãe da Hannah, conheceu o marido alemão pela internet, namoraram por alguns anos, até que ela decidiu ir para o país europeu se casar e estabelecer uma família. Lá, ela engravidou, mas, dias após o parto, acabou falecendo.

Desde então, a Carmen foi visitá-la uma vez na Alemanha, e a neta veio em duas ocasiões passar uns dias com a avó. Inclusive no aniversário, com direito a uma festinha especial. Apesar disso, a distância não é problema para que as duas se vejam com frequência. Todos os domingos, elas se veem na frente do computador. Em chamadas de vídeo, a avó junto com toda a família e a neta “se encontram” numa forma de manter o laço familiar.

 

“Eu nem programo nada para o domingo. Um dia antes o meu genro combina de fazermos a chamada em vídeo. A gente sempre fica muito tempo, por mais de duas ou três horas conversando. Ela nunca quer ir embora, sempre quer ficar mais.

Todos os domingos, Carmen e a família "se encontram" com a neta em uma chamada de vídeo pelo computador.
Todos os domingos, Carmen e a família "se encontram" com a neta em uma chamada de vídeo pelo computador.
Foto: José Carlos Schaeffer

A Hannah, que mora na Alemanha, naturalmente cresceu falando o idioma europeu, já que sem a mãe e com o pai falando pouco português, não tinha a oportunidade de falar a língua da família brasileira. A partir daí que a avó, para poder participar ainda mais do desenvolvimento da menina, resolveu aprender o alemão.

Carmen e a neta Hannah em foto no celular da avó.
Carmen e a neta Hannah em foto no celular da avó.
Foto: José Carlos Schaeffer

“Eu pensei em aprender alemão, justamente para ensinar ela a falar português. Já estou fazendo há dois anos e meio e ainda falta mais ou menos o mesmo tempo, contando com a conversação. Estou na fase da gramática, de aprender a gramática para poder falar um alemão correto. O objetivo disso tudo é ter um contato cada vez mais próximo, de chegarmos ao ponto de a distância e muito menos a língua serem uma barreira”, disse.

As aulas acontecem duas vezes por semana, no Centro de Línguas da UFES, onde a Carmem aprende o idioma europeu. Mesmo depois do trabalho, ela segue para o curso com muita disposição, pensando no futuro com a neta.

“Eu trabalho até às 18h e de lá sigo para a aula à noite. Meu objetivo é ter a fluência fácil mesmo para a gente se comunicar. Eu tenho em mim que quando ela ficar mais velha, mocinha, vai vir pra cá, passar férias com a gente, e eu gostaria que ela pudesse falar português, eu pudesse falar alemão, para ter uma comunicação sem barreiras”, contou.

Emocionada, a nutricionista garante que nenhum esforço é mais importante do que participar do crescimento e desenvolvimento da neta.

“Apesar de ser a primeira, é a única neta e ela tem um carinho muito grande pela gente, que nos faz amar ela cada vez mais. E a grande importância disso foi não perder o contato. Algumas pessoas ainda perguntam se a gente ainda mantém contato, mesmo depois de tanto tempo. Eles admiram né, porque mesmo com a distância a gente sempre manteve contato”, disse.

O próximo encontro da Hannah com a família acontece este ano, quando a menina vem visitar os avós e tios junto com o pai, no mês de dezembro.

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