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Passageiras relatam importunação sexual em ônibus do Transcol e medo

Importunação sexual é a prática de ato libidinoso contra alguém sem o consentimento dessa pessoa, como toques inapropriados ou beijos "roubados", por exemplo

Ônibus do Transcol: mulheres são vítimas de importunação sexual
Ônibus do Transcol: mulheres são vítimas de importunação sexual
Foto: Internauta | Gazeta Online

Mesmo em vigor, a lei que caracterizou o crime de importunação sexual não livrou mulheres de sofrerem esse tipo de violência dentro dos ônibus no Estado. Elas continuam sendo vítimas. 

Importunação sexual é a prática de ato libidinoso contra alguém sem o consentimento dessa pessoa, como toques inapropriados ou beijos "roubados", por exemplo. Na Grande Vitória, o cenário não é diferente do resto do Brasil e, infelizmente, as mulheres têm medo de andar de ônibus. É grande o número de relatos de casos nos coletivos do Transcol.

Karina Laynna Rosa, atendente, é uma dessas vítimas recentes. Ela tem 22 anos, mora em Cariacica e, diariamente, faz o trajeto da linha 533 até Vila Velha, onde trabalha. Em abril, um homem começou a tocar o corpo dela dentro do coletivo quando ela voltava pra casa depois do trabalho. Ela gritou, mas o criminoso conseguiu descer do ônibus. Desde então, a rotina dela no coletivo mudou por medo. "Procuro muito ficar vigiando o meu redor e evito até de sentar ao lado de homens, infelizmente, por medo", afirma. 

Outro caso de abril é de uma estudante de 18 anos, importunada no ônibus da linha 507 que faz o trajeto entre os terminais de Laranjeiras e Ibes. Dentro do coletivo, o homem começou a tentar passar a mão no corpo dela e falar palavras de baixo calão. Assim, como no outro caso, o criminoso saiu do ônibus depois que a vítima gritou. A mãe da estudante, que pediu para não ser identificada, contou que ela entrou em casa desesperada sem nem conseguir conversar com o pai sobre o caso. "Ela chegou chorando muito, nervosa, queria se trancar no quarto. Ele perguntava o que tinha acontecido, mas ela demorou mais de uma hora para conseguir voltar, estava com o rosto muito inchado de chorar", lembra.

 

FAÇA A DENÚNCIA

Segundo o gerente de Atendimento ao Cliente da Ceturb, Gilmar Pimenta, a orientação às vítimas é de que elas denunciem os casos à polícia. Os crimes que chegam ao conhecimento da Ceturb são encaminhado para a Polícia Civil.

A delegada Claudia Dematté, chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher, também orienta que a vítima não deixe de acionar a Polícia - a PM através do 190 ou indo em uma delegacia especializada na Grande Vitória.

"Hoje o agressor pode inclusive ser preso em flagrante por isso. Então, procure uma delegacia. A gente tem inclusive um plantão 24h que funciona em Vitória exatamente para atender casos de mulheres vítimas ou de violência doméstica ou de um crime contra dignidade sexual", alerta a delegada.

A tipificação desse crime entrou em vigor em 24 de setembro de 2018. Desde então, quem pratica casos enquadrados como importunação sexual poderá pegar de 1 a 5 anos de prisão. A importunação sexual difere do assédio sexual, que se baseia em uma relação de hierarquia e subordinação entre a vítima e o agressor.

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