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Centro vai prever áreas de maior risco de desastres com mais precisão

A unidade será construída no Quartel do Corpo de Bombeiros, em Vitória

Projeção do Centro Integrado de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CIGRD), que será construído no Quartel do Corpo de Bombeiros, em Vitória
Projeção do Centro Integrado de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CIGRD), que será construído no Quartel do Corpo de Bombeiros, em Vitória
Foto: Divulgação/ Defesa Civil

Um centro para prever e gerenciar desastres naturais, como chuvas torrenciais, ventos fortes e deslizamentos de terra, será construído no quartel do Corpo de Bombeiros, em Vitória. Também serão monitorados nesta unidade os chamados desastres tecnológicos, como por exemplo, vazamentos de produtos tóxicos ou inflamáveis, assim como tragédias envolvendo acidentes. 

O investimento do Governo do Estado será de R$ 56 milhões. Com a tecnologia que será instalada, a Defesa Civil e outros órgãos de proteção conseguirão identificar com uma localização mais precisa as áreas de risco. Assim, por exemplo, ficará mais fácil e rápido alertar a população dessas áreas para deixarem suas casas em caso de risco para deslizamento ou inundações.

O prédio, com uma área de 1600 metros quadrados, deve ficar pronto em 18 meses, segundo estimativa do governo. O tenente-coronel Hekssandro Vassoler, coordenador adjunto da Defesa Civil Estadual, garante que a tecnologia que será incorporada ao centro será de ponta e permitirá que os agentes atuem mais focados em regiões de risco. "Para ficar mais claro, ao invés da gente ter um alerta de fortes chuvas para um município inteiro, nós teremos o alerta para uma determinada área do município. Isso proporciona uma melhor preparação para o desastre", contou Vassoler. O espaço será chamado de Centro Integrado de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CIGRD).

Uma equipe da Defesa Civil foi aos Estados Unidos para conhecer e trazer para o centro a experiência de dois Estados, da Louisiana e da Flórida, na prevenção e gerenciamento de desastres. "São estados que anualmente trabalham com desastres em grande escala, como furacões, ciclones, grandes alagamentos. O propósito foi entender como esses estados, através dos seus centros de operações, trabalham na prevenção de desastres", explicou. 

Embora não seja o foco do centro, já que não há registro desses eventos extremos no Estado, o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Alexandre dos Santos Cerqueira, chegou a afirmar que seria possível prever, com o aparato que será instalado, a vinda de fenômenos como furacões e ciclones.

O governador Renato Casagrande participou da cerimônia de anúncio da construção do Centro. Em seu discurso, sem citar nomes, criticou aqueles que desdenham das mudanças climáticas e manifestou que o governo do Estado e o Governo Federal precisam pensar em políticas públicas para combater os problemas ambientais. Recentemente, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, deu uma declaração polêmica ao citar uma onda de frio para negar o aquecimento global.

"Infelizmente tem gente no Brasil que não acredita em mudanças climáticas. Estamos infelizmente com gente que não quer ver aquilo que está acontecendo no mundo. Lógico que eventos extremos nós sempre tivemos na natureza, mas agora por uma ação do homem, estamos com uma frequência desses eventos maior. Cabe ao Governo do Estado e ao Governo Federal ter uma política que possa enfrentar essa realidade", cutucou o governador.

Renato Casagrande participou da cerimônia de anúncio da construção de centro de previsão e gerenciamento de desastres
Renato Casagrande participou da cerimônia de anúncio da construção de centro de previsão e gerenciamento de desastres
Foto: Caíque Verli

O Centro poderá reunir profissionais de diversas áreas, que vão compartilhar informações e tomar decisões articuladas, com a elaboração de planos de ações coordenados. Entre os órgãos que devem inserir profissionais no centro, estão a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros, o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), a Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan), o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), a Agência Nacional de Águas (Ana), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), prefeituras e até empresas. 

A Defesa Civil, após a inauguração do Centro, não descarta instalar alertas sonoros em áreas de risco. Pelo menos 8 pontos no interior do Estado podem receber esses sinais. Em breve, os capixabas também terão acesso a um aplicativo de celular, o Alerta!, para receber avisos da Defesa Civil.

Esses comunicados continuarão sendo enviados por SMS e também pelo site do Alerta! Além dos naturais, o Centro também poderá atuar em outros tipos de desastres, com acidentes de avião e vazamento de produto químico.

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