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Professores do Ifes realizam chamadas por reconhecimento facial

Aplicativo de inteligência artificial desenvolvido pelo Laboratório de Extensão em Desenvolvimento de Soluções (LEDS) do Ifes da Serra facilita e reduz o tempo da chamada

Professores do Ifes realizam chamadas por reconhecimento facial
Professores do Ifes realizam chamadas por reconhecimento facial
Foto: Fernando Madeira

Diferente da tradicional lista de chamada em que o professor precisa falar nome por nome em ordem alfabética para averiguar se o aluno está presente, professores do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) implementaram um novo modo de conferir se o estudante foi à aula: o reconhecimento facial. Para isso, é utilizada uma tecnologia de inteligência artificial que facilita e reduz o tempo da chamada.

Tudo funciona através do aplicativo IAmHere, desenvolvido pelo Laboratório de Extensão em Desenvolvimento de Soluções (Leds) do Ifes, Campus Serra. Ele foi pensado por professores do laboratório e desenvolvido por quatro alunos do curso de graduação em Sistemas de Informação e curso técnico em Informática. A utilização teve início em abril deste ano.

O coordenador do projeto e professor de Engenharia de Software, Fabiano Borges Ruy, explica que o objetivo principal é otimizar o tempo do professor dentro da sala de aula. Mas, além disso, o aplicativo armazena todas as informações, que podem servir para conferência posterior. “Uma chamada convencional que dura 3 a 5 minutos é reduzida para 20 a 30 segundos”, destacou.

FUNCIONAMENTO

O cadastro dos alunos pode ser feito com uma foto coletiva ou individual, tanto o aluno quanto o professor podem fazê-lo pelo aplicativo, precisando apenas do nome e o número de matrícula do estudante. A partir das fotos, o sistema é treinado com as faces dos alunos para posterior reconhecimento.

Durante as aulas, com o IAmHere aberto no celular, o professor pede que todos os alunos olhem para a câmera do dispositivo. Através da foto tirada, o aplicativo identifica quais partes da imagem são faces e depois as reconhece, comparando-as com as faces previamente cadastradas. Então, uma lista dos alunos presentes e ausentes é exibida para o professor. Após a chamada, cada aluno recebe uma notificação, que informa o registro de presença ou de ausência.

Atualmente, o aplicativo está sendo utilizado por dois professores em turmas de diversos tamanhos, chegando a até 40 alunos. Além disso, está sendo concluída a integração do aplicativo com o sistema acadêmico do Ifes, fazendo com que os registros de frequência sejam transferidos diretamente para o sistema oficial da instituição.

O estudante do quarto período do curso de graduação em Sistemas de Informação Renato Sant’Anna Lopes, de 24 anos, diz que o projeto reduziu muito o tempo de chamada dos professores que o utilizam.

‘Acho importante investir nesse tipo de projeto, existem professores com 50 alunos que demoram cinco minutos com a chamada, isso economiza tempo. O aplicativo é capaz de ajudar muitos professores, tenho interesse em vê-lo no mercado, ajudarei no que for preciso”, pontua.

EXPANSÃO

O professor Fabiano explica que, inicialmente, o objetivo do projeto era dar início a vivência prática de alunos, mas a ideia deu tão certo que a intenção é ampliar a sua utilização dentro da instituição e fora dela.

Diversas aplicações similares podem ser desenvolvidas com a tecnologia de reconhecimento facial. Algumas outras utilizações seriam para a identificação e localização de funcionários em empresas, reconhecimento pela Polícia Civil e Militar de pessoas com mandado de prisão em aberto e que estejam circulando dentro de um ônibus ou sendo paradas em blitz. Além de ser usado para ajudar em algum tipo de incidente, por exemplo, se o setor de uma grande empresa pegar fogo, as pessoas devem seguir para um ponto de encontro. A solução reconheceria e informaria quem já chegou e quem ainda está na empresa.

“O IAmHere está bem focado em registro de frequência em sala de aula, onde as pessoas estão juntas e têm o interesse de serem identificadas. Esses outros exemplos podem se tornar reais por meio de outras aplicações da tecnologia utilizada”, pontuou.

LABORATÓRIO

Segundo o professor de Engenharia de Software e coordenador do Leds, Rodrigo Fernandes Calhau, o laboratório foi criado em 2012 para proporcionar ao aluno uma vivência mais prática dos conteúdos de sala de aula.

Lá eles desenvolvem projetos reais, com prazos, clientes, cobranças e riscos. Inicialmente no campus Serra, ele se ampliou para o Ifes de Colatina, Santa Teresa e Guarapari. Além do aplicativo IAmHere, o Leds conta hoje com mais cinco projetos.

“O Leds é um programa de extensão focado em atender demandas externas, desenvolvemos soluções junto aos alunos para o governo e empresas. O IAmHere foi o primeiro projeto em que a demanda partiu de dentro do campus”, explicou.

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