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Sobrevivente de tragédia em Camburi perdeu o pai em acidente de carro

Em 1998, o jornalista Ronaldo Furlan, pai de Caio Perim Furlan, de 27 anos, morreu após bater com o carro na BR 101, na Serra. A Gazeta noticiou o acidente. Jovem e o primo sobreviveram a acidente que matou dois na terça-feira (29), na Dante Michelini

A Gazeta noticiou acidente que matou o pai de Caio em 1998
A Gazeta noticiou acidente que matou o pai de Caio em 1998
Foto: Arquivo/A Gazeta

Um dos dois sobreviventes do grave acidente em que outras duas pessoas morreram na noite da última terça-feira (29), na Avenida Dante Michelini, em Camburi, Vitória, o universitário Caio Perim Furlan, de 27 anos, perdeu o pai, há 21 anos, em um acidente de trânsito. A mãe do jovem, Celeneh Perim, relatou à reportagem de A Gazeta que é difícil reviver o sofrimento da época agora, com o acidente que matou dois jovens e deixou feridos seu filho e seu sobrinho.

No dia 27 de agosto de 1998, o jornalista Ronaldo Furlan não resistiu aos ferimentos após o veículo em que dirigia bater de frente com um ônibus na BR 101, na Serra, na altura do bairro Campinho da Serra. Na época, o acidente foi noticiado pelo jornal A Gazeta. Na ocasião, Caio tinha apenas seis anos.

Agora, após o acidente na última terça-feira, o jovem se recupera em casa. Nesta quarta-feira (30), ele e o outro sobrevivente, seu primo Augusto Cesar Perim Filho, receberam alta do Hospital Estadual de Urgência e Emergência (antigo São Lucas), onde estavam internados desde o dia da tragédia.

Emocionada ao falar da situação do filho, Celeneh Perim, mãe de Caio, relata a dificuldade de reviver os mesmos sentimentos de 21 anos atrás, quando o marido faleceu.

É como se a gente desenterrasse todos os sentimentos que tivemos há 21 anos. É muito difícil. O emocional fica muito abalado. Principalmente para mim. Na época, tive que enfrentar tudo. Então, volta muito para mim essas sensações
Celeneh Perim, Mãe de Caio Perim Furlan (sobrevivente do acidente em Camburi)

Caio estava no carona do carro modelo Audi A3. Quem dirigia era o primo dele, Augusto César. Os dois foram socorridos para o Hospital Estadual de Urgência e Emergência, sem ferimentos graves. No banco traseiro do carro estavam dois amigos deles: o universitário Matheus Nunes Fardin, 26 anos, e bacharel em Direito Gustavo Fracarolli, 27. Os dois foram arremessados do Audi A3 depois que o carro perdeu o controle, bateu em um poste no canteiro central, invadiu a contramão e bateu de frente com um ônibus. Os dois morreram no local.

 

 

Se recuperando em casa, Caio está com dificuldades para se alimentar por conta de ferimentos na boca, segundo a mãe. Ela afirma que o filho está recebendo suporte de familiares e amigos que têm visitado o jovem.

"Passamos por um trauma danado. Foram momentos difíceis. Queremos tentar levar uma vida normal. Estamos dando todo o suporte, com carinho, com atenção, para evitar que ele fique com esse pensamento o tempo todo", disse. Ainda segundo a mãe, Caio ainda não foi chamado pela polícia para prestar depoimento.

A Polícia Civil informou, por nota, que o caso está sendo apurado pela Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito. O local do acidente passou por perícia e o prazo para conclusão do laudo é de, em média, 30 dias. Diligências estão em andamento. As vítimas sobreviventes e as testemunhas serão ouvidas dentro do prazo legal.

REVEJA A REPORTAGEM DE A GAZETA DO ACIDENTE QUE MATOU RONALDO EM 1998

O jornalista Ronaldo Roque Furlan, 39 anos, morreu na manhã de ontem em um acidente no quilômetro 258 da BR 101 Norte, próximo ao Bairro Campinho da Serra, no município da Serra. Testemunhas do acidente contaram que o ônibus da Transportes Urbanos Markesa Ltda., placa MQD-4684, seguia no sentido Serra-Vitória com 12 passageiros. O jornalista seguia em sentido contrário, na Toyota Hilux , SW4, placa MQE-1188, e foi atingido em sua mão de direção pelo ônibus.

A jornalista Cileide Zanotti Duccini, 34, que estava no banco do carona da Toyota, fraturou uma perna, perfurou o intestino, machucou a bacia e pulmão. Ela foi operada à tarde e não corre risco de vida. No local do acidente, testemunhas informaram que o motorista teria fugido levando a documentação do veículo. Na empresa, entretanto, a chefe do Departamento de Pessoal - que, após informar seu cargo, se recusou a revelar seu nome - disse que o motorista do ônibus, Deomiro Soares Nazaré, não fugiu. "Ele foi socorrido e levado para o Hospital Metropolitano", disse. No Metropolitano, entretanto, as informações davam conta de que Deomiro não foi atendido. O motorista também não deu entrada no Hospital Dório Silva, onde outras pessoas que estavam no ônibus foram socorridas.

As pessoas que presenciaram o acidente disseram que o motorista do ônibus desenvolvia excesso de velocidade em uma descida, perdendo o controle da direção quando tentou ultrapassar um veículo. O ônibus atravessou para a contramão. Em sentido contrário seguiam os jornalistas Ronaldo Furlan e Cileide Zanotti na Toyota, comprada há doze dias.

As marcas de pneus no asfalto indicam que Ronaldo freou bruscamente sua caminhonete, jogando a na direção do acostamento, mas a manobra não impediu que seu veículo fosse atingido de frente pelo coletivo. Com a violência do impacto, o ônibus destruiu por completo a frente da caminhonete. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, 12 passageiros do coletivo foram atendidos no Hospital Dório Silva, com ferimentos generalizados. Cileide Zanotti foi socorrida por uma equipe de patrulheiros da Polícia Rodoviária Federal e levada para o Hospital Metropolitano. Ronaldo Furlan foi retirado das ferragens pelas pessoas que pararam para ajudar. Foram 25 minutos de tentativa de resgate, até que cordas foram amarradas na carroceria e as pessoas conseguiram desamassar as ferragens e retirar o jornalista do que sobrou do veículo. Ele foi levado para o Hospital Dório Silva, onde deu entrada sem vida.

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