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Telexfree suspeita de lavar dinheiro também em show de Roger Hodgson

Estrela do rock e cantor da banda Supertramp, artista veio ao Estado um mês antes de Paul McCartney. Suspeita é que empresa tenha usado os eventos para lavar dinheiro sujo, conquistado em crime contra o sistema financeiro

Show de Roger Hodgson realizado com recursos dos  sócios da Telexfree
Show de Roger Hodgson realizado com recursos dos sócios da Telexfree
Foto: Cacá Lima - 22/10/2014

O show da estrela do rock Roger Hodgson realizado em outubro de 2014, em Vitória, serviu aos chefões da pirâmide financeira Telexfree como um "teste" para incursão do esquema no mundo musical. Antes de bancarem a vinda do ex-Beatle Paul McCartney, em novembro daquele ano, Carlos Costa e Carlos Wanzeler, embora com recursos bloqueados pela Justiça, agiram como investidores ocultos da apresentação do ex-Supertramp. A maneira como os líderes do golpe atuaram em ambos os eventos levanta indícios de lavagem de dinheiro.

 

A dupla também foi responsável pela vinda de Paul McCartney ao Estado na segunda das duas parcerias do trio com o produtor local Flávio Salles. O cachê do ex-Beatle foi pago por Renato Alves, um dos principais líderes da Telexfree, segundo informação do advogado Rafael Lima, que representa Alves, Wanzeler e Costa. “Ele quis fazer um investimento particular”, diz. A defesa nega qualquer irregularidade também no show de Roger Hodgson.

Renato Alves, de São Paulo, é apontado pelo MPF como um dos principais laranjas de Costa e Wanzeler. Em ações penais, ele é acusado de ocultar e de lavar dinheiro para os chefões.

A suspeita é de que o pagamento do ex-Beatle foi feito desta forma porque os chefões da pirâmide estavam impedidos de movimentarem as contas pessoais e da empresa, a Telexfree, em virtude de decisão da Justiça do Acre de junho de 2013. Só com o cachê do artista foram pagos cerca de 2 milhões de dólares (R$ 8 milhões em 2014).

Já os gastos com Hodgson, porém, foram mais modestos. Até o cachê cobrado pelo artista, em torno de 310 mil dólares, surpreendeu o empresário Flávio Salles. "Mais barato do que muita gente no Brasil", relatou.

As tratativas para este show começaram a ser feitas em maio de 2014, quando Wanzeler e Costa concordaram em financiar o show, mas exigiram a entrada de um sócio por eles indicado na Capixaba Eventos Ltda, empresa que para o mercado tinha o nome fantasia de Flávio Salles Eventos. O escolhido foi Cleber Renê Rizério Rocha. "Foi solicitado que entrasse uma pessoa para compor, porque você não abre sociedade sozinho e eu aceitei. É uma pessoa que se sentar ao meu lado eu nem sei quem é", relatou.

As mudanças na empresa, posteriormente registradas na Junta comercial do Estado, foram preparadas por João Cláudio Pereira., que também é contador da Telexfree. Foi o momento, segundo Flávio, em que ele se encontrou com Cleber, novamente em Vila Velha, para assinar a mudança contratual a ser feita na empresa. "Eles estavam usando a minha experiência e conhecimento de mercado, e se sentiram seguros. Agora, não sei se queriam arrumar algo para o Cleber fazer, mas ele nunca apareceu na empresa (Capixaba Eventos). Não foi nem um dia", garantiu.

Até isto acontecer, Flávio já tinha realizado para os líderes do maior esquema de pirâmide do mundo, outros dois eventos. Um deles quando ainda era diretor em um clube na Ilha do Boi, em Vitória, e lá foi realizado o 1º Extravaganza, em dezembro de 2012. No Natal do ano seguinte, ele também pôs em prática o sonho de Costa de fechar um cruzeiro marítimo para os membros da TF. O Extravaganza II, realizado por Flavio, contou com três dias de shows de Bruno e Marrone.

Foi com base nesta relação comercial que ele decidiu convidá-los a investirem no show de Hodgson. "Eles foram os investidores que busquei. Fui lá, falei que tinha uma proposta, e se eles se interessavam em fazer o investimento. E eles depositaram o dinheiro do cachê direto na conta da Planmusic, produtora nacional. Não passava pela minha conta", contou Flávio.

O show de Roger Hodgson foi considerado um sucesso. "Foi ótima a lucratividade. Com certeza melhor do que o do Paul McCartney. Teve uma bilheteria muito boa, com 7.500 pagantes, e vendeu tudo", relatou. Foi inclusive esta vendagem que chamou a atenção do produtor nacional, Luiz Oscar Niemeyer, que à época estava à frente da Planmusic, para oferecer a Salles o show do Beatle. "Hodgson foi o primeiro show que fiz com Costa e Wanzeler, e posteriormente Paul McCartney. Depois eles ficaram engessados, sem recursos, e não podiam fazer mais nada", explicou Salles.

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