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Tribunal de Justiça nega novo julgamento e aumenta pena de Dondoni

Empresário recebeu mais dois anos e sua pena passou para 26 anos e 10 meses de prisão em regime fechado. Ele foi condenado pela morte de três pessoas de uma família

Acidente rodovia BR 101, quilômetro 304. O comerciante Wagner José Dondoni de Oliveira, segundo policiais rodoviários, visivelmente embriagado, dirigia a caminhonete S10, quando bateu de frente no Fiat Uno
Acidente rodovia BR 101, quilômetro 304. O comerciante Wagner José Dondoni de Oliveira, segundo policiais rodoviários, visivelmente embriagado, dirigia a caminhonete S10, quando bateu de frente no Fiat Uno
Foto: Gustavo Louzada/Arquivo A Gazeta

Além de não aceitar o recurso do empresário Wagner José Dondoni de Oliveira para a realização de um novo julgamento, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) decidiu aumentar a pena imposta na condenação do ano passado. Por unanimidade, os desembargadores acrescentaram mais dois anos de prisão para Dondoni.

Em novembro do ano passado, Dondoni foi condenado a 24 anos e 11 meses de prisão, em regime fechado. Com a decisão de hoje sua pena passa para 26 anos e dez meses, além de mais 30 dias de multa. Ele havia pleiteado um novo julgamento com o argumento de que a sentença do juiz Romilton Alves Vieira Júnior, no Tribunal do Júri, foi contrária às provas contidas no processo. O Ministério Público também apresentou recurso pedindo aumento da pena do condenado, o que foi parcialmente concedido.

O recurso de Dondoni foi analisado na sessão desta quarta-feira (09) pelos desembargadores Adalto Dias Tristão, relator do processo, além de Sérgio Bizzotto Pessoa de Mendonça e Fernando Zardini Antonio, todos integrantes da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). Em seu voto o desembargador Tristão destacou que "não há dúvidas de que o apelante (Dondoni) assumiu total risco de ceifar a vida das vítimas".

Segundo o desembargador Adalto Dias Tristão, Dondoni "teve ao menos duas chances de ter impedido o cometimento do crime, quando foi advertido preteritamente, mas mesmo assim insistiu na ação delituosa de dirigir totalmente embriagado".

Ele se refere aos dois acidentes em que o empresário se envolveu momentos antes de da tragédia que vitimou a família. em um dele foi alertado por um socorrista de uma ambulância de que não deveria continuar dirigindo por estar embriagado.

Dondoni foi sentenciado pela morte de três pessoas de uma família em um acidente ocorrido há dez anos na BR 101, em Viana. Na ocasião, o cabeleireiro Ronaldo Andrade, único sobrevivente do carro atingido pelo empresário, perdeu a esposa Maria Sueli Costa Miranda, e os dois filhos, Rafael Scalfoni Andrade e Ronald Costa Andrade.

O empresário foi condenado em julgamento realizado no Fórum de Viana, que durou quase 15 horas. Ele não compareceu para ouvir a sentença definida por maioria dos votos dos jurados. Ele respondeu pelos crimes de homicídio simples por ter causado a morte de Maria Sueli, e os filhos Rafael e Ronald, tentativa de homicídio, por Ronaldo Andrade, e uso de documentação falsa.

Logo após a condenação, foi decretada a prisão pelo juiz que presidiu o Tribunal do Júri, Romilton Alves Vieira Júnior. "Pelo exposto, decreto a prisão do acusado Wagner José Dondoni, ostentando natureza de execução provisória da pena de prisão em razão da condenação pelo Tribunal do Júri, determinando, assim, que o réu condenado, após ser devidamente preso, se recolha à prisão, onde deverá permanecer se pretender recorrer ", diz a sentença do juiz Romilton Alves .

Mas Dondoni ficou foragido por quase 30 dias. Ele acabou se apresentando à Polícia Civil em 30 de novembro do ano passado, na presença de um advogado. O condenado foi encaminhado para a Penitenciária de Segurança Média I, em Viana, para cumprimento da sentença.

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