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Especialistas temem dengue mais agressiva no ES no verão

Este ano já foram registrados 75.210 casos de dengue no Espírito Santo, número cinco vezes maior que do ano passado. Especialistas alertam que a preocupação é com o aumento do tipo 2 da doença, que é mais grave

Mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão dos vírus da dengue, febre chikungunya e Zika
Mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão dos vírus da dengue, febre chikungunya e Zika
Foto: Arquivo Agência Brasil

 

 

Um tipo mais grave da dengue, que há nove anos não era registrado no Espírito Santo, tem preocupado especialistas. Somada à chegada do verão, a estação mais quente do ano, consequentemente um clima mais propício para reprodução do mosquito aedes aegypt – transmissor da doença –, especialistas alertam que a principal preocupação é com os casos da dengue tipo 2 no Estado. O doente infectado por esse tipo da doença demanda mais cuidados médicos e o risco de morte é maior.

O número de casos notificados no Estado, de janeiro a outubro deste ano, chega à 75.210, segundo dados do último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). O número é cinco vezes maior que o registro de casos no mesmo período do ano passado.

Segundo o infectologista Lauro Ferreira, a dengue possui quatro sorotipos diferentes de vírus, que tendem a se sucederem. Quem nasceu depois de 2010 no Espírito Santo nunca teve contato com o vírus tipo 2. "A maior incidência de um ou de outro tipo depende de mais suscetibilidade das pessoas, pois é como se as pessoas que foram infectadas por um dos sorotipos já estivessem 'protegidas' do sorotipo que teve. O risco de as pessoas adoecerem pelo tipo 2, agora, é muito maior", pontua.

O especialista diz que o sorotipo 2 da doença é o que está associado a uma forma mais grave da dengue. Já o mais brando, segundo ele, é o sorotipo 4. "O sorotipo 2 tem mais casos de hospitalização e maior risco de morte", alerta o médico.

Lauro Ferreira também considera as mudanças climáticas um fator importante. "Está muito quente. Nos meses de inverno também tivemos casos de dengue, pois só tivemos um pouquinho de frio. Agora, as chuvas que tendem a vir no verão é um facilitador para acumular água e, consequentemente, levar a um aumento de casos de dengue. Além disso, Minas Gerais e Rio de Janeiro estão tendo a pior epidemia de dengue tipo 2", destacou.

CUIDADOS

Faltando pouco mais de um mês para o verão, que começa em 22 de, ainda é possível tomar atitudes para conseguir conter o avanço da doença, segundo a bióloga Denise Valle, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

"As pessoas têm que se preocupar agora, antes do verão, pois ainda temos chances de fazer alguma coisa preventivamente. Os cuidados domésticos e com espaços públicos para a não acumulação de água limpa e parada ainda é a melhor forma de controle. É uma questão das pessoas mudarem o comportamento pois criamos locais para o mosquito". Denise Valle, Bióloga e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Denise enfatiza que basta realizar uma limpeza semanal no quintal, vasos de plantas, calhas e dentro de casa para impedir o surgimento de criadouros de mosquitos transmissores da dengue.

Além do Espírito Santo estar passando por dias de intenso calor, outro problema vem sendo enfrentado há sete meses: a ausência de inseticida para realizar o fumacê e combater o aedes aegypt. O governo federal não tem repassado o produto devido a um problema com parte dos lotes comprados. Porém, o Ministério da Saúde afirma que já repôs o estoque. No entanto, o Ministério não informou quando o produto será repassado ao Espírito Santo.

"Mesmo não podendo contar com esse recurso – que elimina apenas 50% dos mosquitos adultos –, enfatizamos as campanhas para que a população exerça o autocuidado. Não há inseticida que dê conta, é preciso fazer a limpeza correta. A dengue do sorotipo 2 nos preocupa devido à proximidade com o Rio de Janeiro, por exemplo. É um vírus que voltou a circular no Estado, sendo que não aparecia há 9 anos", observou Roberto Laperrice, coordenador do Programa Estadual de Combate ao Aedes Aegypt, da Sesa.

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