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Óleo das praias causa queimaduras e até problemas respiratórios

Especialistas dizem que, se houver o contato, deve ser feita a limpeza imediata da área afetada com água e sabão

Manchas de óleo em Jacaraípe
Manchas de óleo em Jacaraípe
Foto: Divulgação

O contato com o óleo que se espalha pelo litoral do Nordeste brasileiro e que, há 13 dias, chegou à costa capixaba pode causar problemas de saúde. Segundo especialistas, há risco de queimaduras na pele e até de danos respiratórios, mesmo sem tocar nos fragmentos.

A presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia no Espírito Santo (SBD-ES), Karina Demoner, diz que o contato direto com os resíduos deixa marcas como se fossem queimaduras, que não coçam, mas que devem ser cuidadas imediatamente. “Esse óleo provoca eczema quando em contato com a pele, que é como uma queimadura, deixando a pele sensível, avermelhada e irritada”, observa.

A dermatologista aponta que algumas pessoas, por se tratar de um tipo de óleo, tendem a querer usar produtos abrasivos (como gasolina e solventes) para retirá-lo.“Isso piora a irritação em vez de limpar o óleo. A orientação é lavar o local imediatamente com água e sabão. Depois, pode passar cremes e loções hidratantes, como óleos de bebês ou aqueles produtos com glicerina. Se continuar muito irritado, deve procurar um médico”, orientou Karina Demoner.

Preocupada com o manuseio do óleo por voluntários, turistas e demais frequentadores de praias, a SBD emitiu uma nota alertando a população para evitar contato com as manchas de óleo e seus demais fragmentos.

Mas não só a pele sofre com o óleo que polui o mar. Segundo Wilson Denadai, doutor em Enfermagem e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), as pessoas podem apresentar outros sintomas. “De acordo com estudos, quem tem contato direto com os resíduos de petróleo pode apresentar náuseas, vômito e complicações respiratórias, além da dermatite, pois essa substância possui compostos gasosos que, se inalados, podem causar problemas”, alerta.

Na lista apresentada pelo professor está o grande potencial alérgico do óleo. “Pode agravar uma crise alérgica e até asmática. Não sabemos o que esse contato hoje pode resultar daqui a alguns anos. Se a pessoa pode desenvolver doenças como diabetes e até câncer, em decorrência do contato atual. Ainda não temos as respostas, pois os resultados só virão ao longo dos anos”, observa Denadai.

Tanto a dermatologista quando o professor advertem as pessoas a não entrar em contato com o produto, que já foi localizado em praias de sete municípios capixabas. “É importante que, além da limpeza, a população fique observando os sinais, tais como náuseas, vômitos, dermatite e cansaço na respiração, em especial as crianças e idosos que são mais sensíveis. Se for para o pronto-socorro, sugiro que comuniquem o contato com o óleo para que se possa medir e atuar sobre esses fatos”, conclui o professor Wilson Denadai.

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