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ES será afetado pela decisão de Trump de retomar tarifa sobre aço

Medida do presidente americano pode contribuir ainda mais para a desaceleração do mercado siderúrgico no Estado. Motivo da taxação é a desvalorização da moeda brasileira

Complexo da ArcelorMittal no Espírito Santo: empresa está presente em mais de 60 países
Complexo da ArcelorMittal no Espírito Santo: empresa está presente em mais de 60 países
Foto: Divulgação/ArcelorMittal

Em uma publicação no Twitter, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Brasil e Argentina têm desvalorizado as próprias moedas e, por conta disso, anunciou que vai retomar tarifas sobre aço e alumínio provenientes dos dois países da América do Sul. A decisão terá impacto no mercado siderúrgico do Espírito Santo que tem a maior parte de suas vendas feitas para o mercado norte americano.

“A desvalorização não é boa para os nossos fazendeiros", disse o chefe da Casa Branca, acrescentando que o que vem acontecendo com as moedas locais frente ao dólar causa dificuldades para as exportações americanas. "Fed (Federal Reserve, o banco central americano) precisa agir para que países não tirem vantagem de nosso dólar forte para desvalorizar ainda mais suas moedas”, completou.

A decisão pode impactar ainda mais a desaceleração do mercado de aço. Em agosto, conforme publicou a colunista Beatriz Seixas, o desaquecimento levou uma das grandes empresas do setor, a ArcelorMittal Tubarão, a antecipar a parada do alto-forno 2 da empresa.

Além do desaquecimento do mercado, a empresa levou em consideração o desaquecimento do mercado de aço no Brasil e no mundo, a persistente crise econômica nacional e o desastre de Brumadinho, que impactou nos preços do minério – matéria-prima para a fabricação do aço.

O presidente da República, Jair Bolsonaro, reagiu à fala de Trump afirmando que vai conversar com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e acrescentou que, se precisar, vai contatar o próprio presidente americano. "Se for o caso, falo com Trump, tenho canal aberto".

TARIFAS

O presidente Trump havia anunciado, em março do ano passado, a imposição de uma sobretarifa de 25% sobre as importações de aço e de 10% sobre as de alumínio de vários países, incluindo o Brasil - o maior exportador de aço para os EUA.

"Nossas indústrias de aço e alumínio foram dizimadas por décadas de comércio injusto e políticas ruins de países ao redor do mundo. Nós não podemos mais deixar que tirem proveito do nosso país, empresas e trabalhadores", escreveu o presidente americano, à época, em sua conta no Twitter.

A decisão provocou enorme polêmica em todo o mundo. Os próprios americanos questionaram a medida, argumentando que a barreira a essas matérias-primas poderia encarecer o preço de automóveis, eletrodomésticos e de outros produtos, podendo ter um impacto negativo sobre a inflação do país. Mas Trump ignorou as críticas. "Sem aço, não há país", disse.

Em agosto, porém, diante da pressão das próprias empresas americanas, o presidente americano voltou atrás e resolveu flexibilizar a política das sobretarifas. Ele autorizou a entrada de aço e alumínio no país em quantidade acima das cotas livres dessas taxas, desde que ficasse comprovado que o produto não era feito nos EUA em quantidade suficiente ou que fosse de qualidade insatisfatória. Agora, Trump resolveu retomar essas taxas, reabrindo a polêmica.

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