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Justiça nega prisão domiciliar para advogado réu por assassinato

Frank Willian de Moraes Leal Horácio está há 2 meses e 24 dias detido no Quartel da Polícia Militar. Ele é acusado de envolvimento em assassinato no Bairro da Penha, em Vitória

Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES)
Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES)
Foto: Reprodução/ TV Gazeta

O pedido da OAB-ES para que o advogado Frank William de Moraes Leal Horácio, 30 anos, consiga a prisão domiciliar por meio de um Habeas Corpus foi negado de novo pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). Frank está preso desde o dia 13 de setembro, acusado de envolvimento no homicídio de Fernando Monteiro Telles, no Bairro da Penha, em Vitória.

O advogado foi preso após as investigações da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) Serra apontarem que Frank repassou a ordem do detento Ícaro Santana, por meio de carta, para matar o melhor amigo do detento, Fernando, e a esposa de Ícaro. Fernando e a mulher estavam tendo um relacionamento amoroso, fato que provocou o desejo de vingança do detento.

Há dois meses e 24 dias, o advogado Frank Willian está custodiado no Quartel do Comando Geral (QCG) da Polícia Militar, em Vitória. Inicialmente, a OAB-ES pediu liminarmente a prisão domiciliar do advogado, que já é réu no processo de homicídio. Porém, o pedido foi negado pela Justiça.

Esta semana, o mérito do pedido, que era a prisão domiciliar, foi julgado pelo colegiado da 1ª Câmara Criminal de Vitória, tendo como relatora a desembargadora Elisabeth Lordes. Na decisão, o pedido foi denegado, segundo a assessoria de imprensa do TJ-ES.

Ao ser procurado pela reportagem, o diretor de Prerrogativas da OAB-ES, Eduardo Sarlo, disse que não havia tomado ciência do acórdão e que não teria condições de se pronunciar no momento sobre o caso.

O CRIME

O assassinato de Fernando Telles aconteceu no dia 28 de março, por volta das 17 horas, no alto do Bairro da Penha, em Vitória. De acordo com as investigações da DHPP Serra, Fernando era um dos melhores amigos de Ícaro Santana, chefe do tráfico e homicida de Serra-sede. Ícaro foi preso e deixou para Fernando a responsabilidade de administrar o tráfico dele, tendo uma das tarefas entregar parte do dinheiro do crime para a esposa de Ícaro. A proximidade entre a mulher e Fernando acabou virando um laço de amor.

Ao descobrir dentro da cadeia a traição, Ícaro, cliente do advogado Frank Willian, escreveu uma carta para que a esposa caísse em uma emboscada e outra carta ordenando a morte dela e de Fernando. A primeira carta foi entregue à esposa, mas Fernando foi avisado que se tratava de uma emboscada.

Fernando conseguiu avisar a mulher de Ícaro, impedindo que ela fosse encontrada por traficantes de Serra Dourada. No entanto, ele foi atraído para o Bairro da Penha e executado no bairro após ser torturado.

Para afastar a polícia do Bairro da Penha, o corpo de Fernando Telles foi levado para a rodovia Audifax Barcelos, na Serra, dentro do porta-malas de um carro. Ao todo, 10 pessoas foram indiciadas e já são réus pelo crime de homicídio qualificado. Destes, somente um não foi preso pela DHPP Serra, que é Marujo, líder do PCV que continua foragido.

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