Sérgio Blank lança reedição de coletânea

Sem publicar material inédito desde 1996, o poeta relança "Os Dias Ímpares"

Publicado em 15/02/2017 às 12h38

Atualizado em 15/02/2017 às 12h55

Sérgio Blank quer reencontrar seus parceiros. Mais do que isso: deseja mostrar a eles – e a quem quer que esteja interessado – que está de volta. Para isso, o poeta capixaba arquitetou o relançamento do livro “Os Dias Ímpares” (Cousa) em evento acontece hoje à noite, a partir das 19h, no Grappino, no centro de Vitória.

“É uma forma de confraternização dos amigos que gostam de literatura e arte para que a gente se lembre desse meu momento, que é um momento de conquista”, diz o autor de 52 anos de idade.

Foto: Ariny Bianchi/Divulgação
Ao longo da vida, Sérgio publicou cinco obras. A última delas saiu em 1996

Um momento de conquista que tem muito a ver com os maus bocados que o escritor viveu nos últimos anos. “Durante quatro anos passei isolado. Foi um momento de muita tristeza. Tive que priorizar minha saúde”, relembra Blank. “Não tinha outra opção”, reconhece.

Em meio a esse processo que deságua numa volta por cima, “Os Dias Ímpares” dá as caras novamente. Agora em sua terceira edição, a obra – adotada em 2015 no VestUfes – reúne toda a poesia blankiana e outros dois poemas avulsos (“A Torto e a Direito” e “Os Que Mordem Sem Latir”).

A coletânea é composta pelos livros “Estilo de Ser Assim, Tampouco”, “Pus”, “Um”, “A Tabela Periódica” e “Vírgula” – todos eles lançados ao longo de quase 12 anos, entre 1984 e 1996, e responsáveis por marcar toda uma geração de leitores capixabas.

O evento também será uma oportunidade para se e discutir a poesia do autor em bate-papo aberto para comentários. Além disso, a programação contará com um sarau composto por convidados.

Retorno?

O relançamento de “Dias Ímpares” e a volta da poesia de Blank à pauta levanta um questionamento inevitável: “será que ele voltará a escrever?”. 

“Vírgula” (1996) foi o seu último livro. De lá pra cá, já são mais de duas décadas de silêncio.

Há, no entanto, muita coisa por trás deste hiato literário que vive o autor. “Hoje eu não sei mais porque escreveria. Por que escrever agora? Pra quem? São perguntas difíceis de responder...”, esquiva-se Blank.

“O autor, quando não está publicando, não deixa de ser escritor. Suas antenas estão sempre ligadas”, justifica o poeta.

E suas antenas, pelo visto, não desligaram. Tanto que buscar ser receptor das sutilezas do dia a dia mudou a percepção de Blank sobre o que o cerca. “Essa proximidade com a morte me deu uma leitura diferenciada da vida, da sobrevivência”, retorna ele sobre o tema de sua frágil saúde.

As mudanças advindas das agruras do passado, segundo Blank o tornaram um ser perseguidor de uma certa leveza. “Tenho buscado uma suavidade. Vivemos um momento tão difícil, pesado e tão tenso, que buscar a leveza no cotidiano é o que eu tenho procurado...”.

Com suavidade ou não, resta-nos acatar (e, principalmente, respeitar) o tempo de Sérgio. Aguardar e também torcer para que um dos mais nobres poetas capixaba acorde certo dia, desembainhe sua pena e diga para si mesmo: “Estou pronto para voltar a escrever”.

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