"Baby Driver" mistura velocidade, bom cinema e muita cultura pop

Filme do britânico Edgar Wright traz grandes perseguições, humor e ótimos personagens

Publicado em 24/07/2017 às 09h35

Atualizado em 24/07/2017 às 16h41

Filme mistura velocidade, bom cinema e muita cultura pop
Foto:Divulgação
Filme mistura velocidade, bom cinema e muita cultura pop

“Homem-Formiga” (2015), da Marvel, seria o filme que colocaria o nome do diretor Edgar Wright na elite dos diretores de cultura pop, mas as coisas não saíram como ele planejava.

O diretor inglês de 43 anos, até então um cineasta “cult” (apesar de seus filmes serem pérolas pop), queria um filme autoral, a Marvel, por sua vez, desejava um filme que mantivesse o tom de seu universo cinematográfico. O resultado a gente já sabe: após oito anos de trabalho Wright deixou a produção (“Eu queria fazer um filme da Marvel, mas a Marvel não queria um filme de Edgar Wright”, disse). Vale ressaltar que, nas mãos de Peyton Reed, o filme do diminuto herói, apesar de formulaico, se mostrou muito divertido e foi bem de bilheteria.

Teria Wright então perdido sua grande oportunidade? A resposta chega agora aos cinemas com “Baby Driver: Em Ritmo de Fuga”, que vem sendo tratado como uma das grande surpresas do ano até agora. Com sessões de pré-estreia desde a semana passada, o filme estreia na próxima quinta-feira no circuito comercial.

Veloz & divertido

“Em Ritmo de Fuga” conta a história de Baby (Ansel Elgort), um jovem piloto de fuga dono de uma inigualável habilidade atrás do volante. Vítima de um acidente na infância, ele sofre com um zumbido no ouvido e ouve música o tempo todo para aliviar o incômodo, e é justamente nessa sacada que está o grande charme do filme.

Jon Hamm, Lily James, Jamie Foxx e Jon Bernthal, Kevin Spacey e CJ Jones fazem parte do filme
Foto:Divulgação
Jon Hamm, Lily James, Jamie Foxx e Jon Bernthal, Kevin Spacey e CJ Jones fazem parte do filme

Assim como já havia feito em “Scott Pilgrim Contra o Mundo” (2010), Wright faz a música ter papel fundamental em “Baby Driver”. Metódico, Baby planeja sua playlist de acordo com o plano de fuga. Wright, por sua vez, utiliza as canções dos iPods do personagem para ajudar a contar a história. Assim, temos Jon Spencer Blues Explosion, The Damned e Queen em momentos agitados, mas também há Blur, The Commodores e Beck para ajudar a contar a história ou informar o espectador do estado de espírito do protagonista.

O filme traz um trabalho magistral de edição ao inserir os sons da ação (carros, tiros etc.) e movimentos dos personagens no tempo das canções. A ação, por sua vez, é incrível e toda realizada com efeitos práticos, ou seja, assistimos a perseguições de carros impressionantes, fugas alucinadas, quedas e tudo mais sem a utilização de computação gráfica – algo a se destacar no cinema de ação.

O melhor é que além dos detalhes técnicos e do charme pop da trilha sonora, “Baby Driver” tem uma boa história, excelente ritmo, e grandes atores – Jon Hamm, Lily James, Jamie Foxx e Jon Bernthal, Kevin Spacey e o ótimo CJ Jones – vivendo personagens interessantes (mesmo que nem todos bem desenvolvidos).

Ao fim, todo sentimento triste por não termos visto o “Homem-Formiga” de Edgar Wright” fica para trás quando percebemos que talvez não houvesse “Baby Driver” se o cineasta inglês e a Marvel não tivessem suas "diferenças criativas". Um brinde a elas!

 

Em Ritmo de fuga

Ação. (Baby Driver, EUA/Reino Unido, 2017. 112min.).

Direção: Edgar Wright.

Elenco: Ansel Elgort, Lily James Jon Bernthal, Jon Hamm, Elza González, Kevin Spacey, Jamie Foxx.

Estreia quinta-feira

Cotação: 5/5

 

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