Irmã de Belchior faz críticas a livro escrito por jornalista

Angela Belchior e seu advogado querem tirar o livro de circulação e lançar biografia "oficial"

Publicado em 01/10/2017 às 17h16

Atualizado em 01/10/2017 às 17h19

Angela Belchior, irmã do cantor e compositor Belchior (1946-2017), está incomodada. O desconforto tem a ver com o que está impresso nas páginas de “Belchior – Apenas um Rapaz Latino-Americano”, biografia do músico cearense escrita pelo jornalista Jotabê Medeiros.

A obra, recém-lançada, é a primeira biografia do artista morto em abril deste ano. Até a notícia do seu falecimento, nada se sabia do paradeiro do compositor de sucessos como “Paralelas” e “Como Nossos Pais”, desaparecido há quase uma década.

“Achei algumas abordagens (do livro) inconvenientes”, resume a socióloga. O mal-estar a levou, ao lado do seu advogado Estêvão Zizzi, paulista que reside em Vila Velha, a escrever e divulgar uma nota de “esclarecimento aos fãs e amigos de Belchior”.

O cantor e compositor cearense Belchior morreu aos 70 anos em abril deste ano no Rio Grande do Sul
Foto:Divulgação
O cantor e compositor cearense Belchior morreu aos 70 anos em abril deste ano no Rio Grande do Sul

Segundo Zizzi, o texto foi produzido em razão de e-mails que ele recebeu de fãs questionando informação presentes no livro de Jotabê. “Fizemos a nota porque ele (Jotabê) fala inverdades”, completa Ângela, citando que, numa das passagens do livro, o autor dá a entender que a matriarca da família não havia feito parte do coral da Igreja de Sobral, cidade cearense onde nasceu Belchior.

“Claro que ela cantou! Há pessoas em Sobral ainda vivas e que cantaram com ela”, enfatiza. “O Bel dizia que a influencia maior dele na hora de cantar era a mãe. E ela tinha isso como orgulho”, critica ela.

Jotabê Medeiros escreveu a biografia de Belchior
Foto:Divulgação
Jotabê Medeiros escreveu a biografia de Belchior

Jotabê Medeiros explica que não colocou em descrédito o passado musical da mãe do artista. O que houve, ao seu ver, foi um problema de interpretação. “O que eu disse foi que não acredito que a tradição de cantar na Igreja sirva de influência. Eu não acho isso uma influência decisiva, mas eu nenhum momento eu disse que ela (a mãe) mentiu”, explica.

Outros equívocos

A entrada de Estevão Zizzi (que se diz amigo de Belchior desde a década de 1970) nesse imbróglio se deu, segundo ele, a pedido da família do músico. “Eles me ligaram e pediram para que eu desse uma olhada no livro. O li de cabo a rabo e fiz uma postagem indicando os absurdos que encontrei”, explica ele, que diz ter detectado outros equívocos na obra.

Um deles, de acordo com Zizzi , está na página 194 do livro. Nela há uma foto de uma criança sentada num balanço que o autor apresenta sendo Belchior. “Na verdade, a foto é de Nilson, irmão dele”.

Na mesma página, o registro fotográfico que indica ser a primeira comunhão do músico é, na verdade, de acordo com o advogado, Belchior com 14 anos recebendo o diploma do ginásio, em Sobral.

Angela agora quer tirar o livro de Jotabê de circulação. “Tenha a maior vontade disso. A falta de respeito é desumana”, enfatiza ela. O advogado engrossa o coro: “Por enquanto, não tenho interesse em o processar o autor. No máximo tirar o livro do mercado”, explica Estêvão, que diz estar escrevendo, ao lado de Angela, uma “biografia oficial” do músico.

Até o momento, de acordo com Jotabê, nenhum familiar ou representante do artista o procurou. Caso isso aconteça, ele diz estar disposto a ajudar. “Se ela (Angela) apontar alguma questão, eu vou perfeitamente fazer a revisão e trocar a informação”, reforça.

Nova biografia

Já com 300 páginas redigidas, a biografia de Belchior escrita por Angela Belchior e Estêvão Zizzi, já tem data para ser lançada. “Pretendo lançar no ano que vem, no dia 26 de outubro, data em que ele completaria 72 anos”, adianta a socióloga.

Há na obra, como conta Estêvão, uma entrevista inédita feita por ele em 2005 com o artista. “Uma entrevista extensa”, relembra o bate-papo. “Ele me contou muita coisa da pessoa dele, como ele era”, continua.

Como autor da primeira biografia do músico, Jotabê não vê com maus olhos o fato de a dupla estar escrevendo um novo livro. “Eles têm o direito de fazer o livro deles. Vou ler com certeza”, conclui, lembrando que grandes artistas como Frank Sinatra e Jim Morrison possuem inúmeras biografias, todas com abordagens diferentes acerca de suas respectivas vidas.

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