Em Vitória, Dia do Choro é comemorado na véspera com shows

A Faculdade de Música do Espírito Santo (Fames) tem encontros semanais para apresentar o choro à comunidade; o gênero milenar surge de composições que são verdadeiras obras-primas

Publicado em 20/04/2018 às 12h10

Atualizado em 22/04/2018 às 08h32

Grupo Carne de Gato vai comemorar o Dia do Choro no Sesc Glória, em Vitória, com show de homenagem ao centenário de Jacob do Bandolim
Foto:Reprodução/Facebook Carne de Gato
Grupo Carne de Gato vai comemorar o Dia do Choro no Sesc Glória, em Vitória, com show de homenagem ao centenário de Jacob do Bandolim

Só por ter dado origem ao samba, sabemos que esse gênero musical é contagiante. Nele, ainda há vários outros ritmos envolvidos, que vão de músicas tipicamente europeias e africanas - e, por isso, é considerado tão democrático. Também é de onde surgiram os grandes nomes da música erudita brasileira e que até hoje têm verdadeiras obras-primas que ecoam pelas várias tribos do País. Estamos falando do choro.

Nesta segunda-feira (23) é comemorado o Dia Nacional do Choro, quando se brinda todo o molejo que já é inerente aos amantes de alguma composição de Chiquinha Gonzaga ou Pixinguinha - dois desses grandes artistas que falamos antes. Porém, a festa já começa hoje em Vitória, onde pelo menos dois locais realizam apresentações do gênero.

O primeiro é no Sesc Glória, no Centro da Capital, onde acontecem apresentações que vão homenagear centenário de Jacob do Bandolim. O evento começa às 17h, com entradas por R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Além da apresentação no Sesc Glória, na Casa de Bamba, situada na tradicional rua Gama Rosa, no Centro da Capital, a partir do meio-dia, acontece uma feijoada regada a muito choro e samba.

Mas por que quando começam a tocar, em harmonia, um cavaquinho, uma flauta e outros mais instrumentos de sopro e cordas todo mundo se sente alimentado com aquela energia? Bom, isso já não temos como responder, mas que uma das alternativas para a solução desse enigma é a história do próprio gênero, isso sim.

Nelson Gonçalves, professor da Faculdade de Música do Espírito Santo (Fames), que também coordena o grupo Choro Acadêmico, na própria instituição, e faz parte da banda Carne de Gato, cuja especialidade no som é o choro, destaca que o gênero nasceu no século retrasado, tendo sido agregado à forma original vários ritmos de outros países que deixaram as partes da composição mais ricas e democráticas.

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"Tem polca, maxixe e até valsas que podem integrar um choro. Só ai você tem três ou mais influências de outras culturas e outros povos em uma música 'genuinamente' brasileira", dispara ele, que completa que o próprio samba já é uma ramificação do choro. "O choro veio muito antes. O choro começou no Brasil lá em meados de 1800 e, aos poucos, foi ganhando corpo com esses ritmos que acabaram sendo agregados", explica. Para ele, é justamente essa mistura que faz o gênero ser tão democrático. "Até nos instrumentos. Acho que isso chama muito a atenção de quem escuta", conclui.

Além dessas características, o professor também enumera algo quase que específico do choro: "Primeiro são os contrapontos. Contraponto é quando você tem um instrumento fazendo a base, como o cavaquinho, e outro que o complementa - mas sem tocar as mesmas notas. Sempre respeitando o tom, é claro", declara. "Depois disso, vemos que quase todas as composições têm três partes. É claro que tem música que não tem essa divisão e nem há um padrão, mas quase todas têm, sim. Por isso a mistura dos ritmos. Cada parte, a priori, é de um ritmo diferente", avalia.

CHORO É DOS GÊNEROS MAIS DIFÍCEIS DE SER TOCADO

Há mais de 40 anos Nelson dá aulas e tem uma conexão direta com a música. No entanto, é firme em dizer que o choro é dos gêneros musicais que exige mais experiência e técnica. "O música que se arrisca (risos) precisa de uma técnica apurada, porque é complicado", relata. Ela destaca que os contrapontos, que fazem o efeito na música, às vezes confundem muito e são difíceis de harmonizar e encaixar.

CHORO NA FAMES PARA A COMUNIDADE

Além de ter um grupo para universitário da Fames, a instituição tem um programa semanal que tem o objetivo de levar o choro, especificamente, à comunidade. Chamado de Roda de Choro, os encontros abertos ao público acontecem toda terça-feira das 17h às 19h no pátio da faculdade. "Foi pensado para incluir a comunidade. Tem gente da terceira idade, gente que não é da Fames, gente que nem nunca estudou música, alunos da instituição, professores... Não é uma aula e nem oficina. É um espaço democrático para quem quiser participar", finaliza.

Já o programa para os estudantes é chamado de Choro Acadêmico e possui cerca de seis integrantes. Nele, os alunos têm um aprofundamento do gênero musical desde a história até, efetivamente, à parte prática da atividade. "Nós percebemos que os alunos tinham dificuldade de conhecer o choro. Ai pensamos em colocar esse gênero porque temos a possibilidade de trabalhar com professores e acadêmicos o estudo mais complexo do choro", exemplifica.

SERVIÇO

Centenário de Jacob do Bandolim

Onde: Centro Cultural Sesc Glória (Av. Jerônimo Monteiro, 428 - Centro, Vitória)

Quando: Domingo (22) às 17h

Quanto: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada)

Feijoada com samba/choro

Onde: Casa de Bamba (Rua Gama Rosa, 154, Centro, Vitória)

Quando: Domingo (22), a partir do meio-dia

Quanto: buffet de Feijoada completa com Música ao vivo R$ 37,90 (buffet liberado) ou R$39,90 no Self-Service. Promoção de caipirinhas de limão a R$ 10,00.

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