Crítica: "A Freira" só acerta no visual

Dispensável e com falhas, filme peca no roteiro e não assusta nem causa medo

Publicado em 10/09/2018 às 12h43

Atualizado em 10/09/2018 às 13h09

O filme A Freira
Foto:Divulgação
O filme A Freira

“Invocação do Mal” foi um filme de terror de baixo orçamento que revitalizou o cinema de horror em 2013. Em 2014 foi lançada uma prequela do longa, “Anabelle”. Nos anos seguintes, esse universo ganhou continuações. Agora, eis que chega mais um filme originado desse mundo criado pelo diretor James Wan: “A Freira”, em cartaz nos cinemas do Estado.

Devo pontuar que não assisti à nenhum filme dessa grande franquia, o que não é de todo ruim, pois vi “A Freira” sem nenhuma pré-concepção ou conhecimento, o que me fez analisar a produção como um longa independente. Dada a observação, vamos à crítica.

TRAMA

“A Freira” conta a história de um padre e uma freira que, juntos, investigam uma série de atividades “estranhas” em um convento na Romênia em meados de 1950. Começando pelos pontos positivos, tecnicamente o filme é impecável: o figurino remanescente da época; o contraste entre cores, muito preto, branco e vermelho; a fotografia feita à base de iluminação ambiente, com muitas velas e lanternas; e o design de produção que dá estilo ao ambiente.

Infelizmente, não é apenas de um bom visual que se faz um bom terror. Justamente essa parte do filme é a mais problemática: o longa não assusta nem causa medo. Todos os supostos sustos são feitos da forma mais artificial possível, todo o terror é criado à base de “jumpscares” (mudança abrupta de imagem com o objetivo de dar susto) repetitivos e previsíveis. Tão cíclicos, que há duas cenas localizadas em um cemitério que são praticamente iguais, tanto na antecipação, quanto na forma que os sustos são entregues.

O que mais incomoda é a escolha do roteiro em transformar os personagens principais em completos idiotas funcionais. Isso se dá de tal forma que, mesmo após presenciarem algo totalmente horrendo, logo na cena seguinte eles estão tranquilos e calmos, o que acaba por prejudicar as atuações.

A Freira
Foto: WARNER BROS.
A Freira

MAIS PROBLEMAS

  

Outra falha em “A Freira” é o humor extremamente deslocado logo após uma cena de tensão, dando um contraste ruim na história. Os momentos de exposição aleatórios no longa também incomodam. Em certas partes, o filme se trata de um mistério, mas, de repente, aparece um personagem não visto antes para contar toda a história da origem da freira de uma forma preguiçosa.

O terceiro ato do longa melhora um pouco trazendo algumas ideias originais, mas o filme acaba parecendo completamente diferente do que era apresentado até o momento, trazendo objetivos novos e até novas personalidades aos personagens.

O sentimento que perdura ao final de “A Freira” é que apesar de se tratar de uma história de origem, não mostra o início ou a origem de monstro algum. É uma trama que não precisava ser contada e parece uma desculpa para fazer um filme com um visual bonito mas sem nenhuma expressão criativa ou original. Dispensável.

A freira

Terror. (The Nun, EUA, 2018, 96 min).

Direção: Corin Hardy.

Elenco: Demian Bichir, Taissa Farmiga, Jonas Bloquet.

Cotação: **

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