"O Predador": ação com dose de terror e bons diálogos

Shane Black se livra das amarras dos estúdios e entrega um filme com problemas, mas ainda assim bem interessante

Publicado em 11/09/2018 às 20h57

FIlme "O Predador"
Foto:Kimberley French/Fox Films
FIlme "O Predador"

A maior qualidade de “Predador” (1987), de John McTiernan, é o fato de que o espectador do filme sabe tanto quanto os personagens sobre a criatura que Arnold Schwarzenegger e seus soldados enfrentam. O mistério criado em torno dela, seu poder de camuflagem (quase uma invisibilidade) e sua visão de calor davam credibilidade à ameaça alienígena e fazia o público acreditar que ela representava, sim, uma grande ameaça a um dos maiores astros de ação da história do cinema.

Essas qualidades, no entanto, foram aos poucos ficando pelo caminho. “O Predador 2” (1990), de Stephen Hopkins, por exemplo, é um filme apenas razoável – no lugar do imponente Schwarzenegger, um Danny Glover bem menos físico, mas surfando no sucesso dos dois primeiros “Máquina Mortífera”. O filme trazia também uma mudança de cenário: da selva da América Central para a urbana Los Angeles às voltas com uma guerra de gangues. O filme não é ruim, mas tampouco é tão interessante quanto o original.

O tempo, porém, não fez bem ao caçador alienígena, que poderia ter visto sua carreira em Hollywood terminar após as bombas “Alien vs. Predador”, que entram facilmente em lista de piores filmes já feitos com muito dinheiro.

RETOMADA

O bom “Predadores” (2010), de Nimród Antal, até recuperou um pouco o prestígio da marca e as características dos caçadores alienígenas, mas não foi além disso, ou seja, não foi capaz de criar uma franquia, palavrinha mágica para os estúdios que sonham com um universo compartilhado para chamar de seu, o famoso efeito Marvel, missão que agora cabe a “O Predador”, que estreia nesta quinta.

Dirigido por Shane Black, roteirista de filmes como “Máquina Mortífera” e diretor do ótimo “Dois Caras Legais”, o filme funciona tanto como um reboot quanto como uma “sequência”.

O filme tem início quando o esquadrão mercenário de Quinn (Boyd Holbrook, de “Narcos”) tem uma missão interrompida pela queda de uma nave e, em seguida, pela poderosa criatura que a pilotava. O mercenário consegue um artefato alienígena e, sabe-se lá por que, o envia para casa “por segurança”. Claro que seu filho, Rory (Jacob Tremblay, de “O Quarto do Pânico”), aperta o botão errado a acaba se tornando um alvo dos caçadores. Quinn acaba entrando em contato com uma agência governamental que estuda os predadores desde que eles estiveram pela primeira vez aqui, em 1987 (daí o fato de ser uma “sequência”).

RITMO

FIlme "O Predador"
Foto:Fox Films/Divulgação
FIlme "O Predador"

“O Predador” tem ritmo acelerado, excelentes sequências de ação e até algumas pitadas de horror. Embalada pelo sucesso do graficamente violento “Deadpool”, a Fox deu carta branca para Shane Black desenvolver o filme; o resultado é um longa livre das amarras do estúdio, mas preso a seus próprios conceitos.

Shane Black não tenta ser cerebral no roteiro que escreveu ao lado de Fred Dekker, muito pelo contrário: ele quer mesmo é ação. A escolha funciona muito bem até os últimos 25 ou 30 minutos de projeção, quando tudo se resolve muito rapidamente em uma sequência que escancara a já referida sede por uma franquia que move a indústria de entretenimento .

O resultado final é um filme interessante, com bons diálogos e um grande senso de parceria e camaradagem entre os bons personagens – Black é ótimo nisso. Mesmo sem ser um filmaço “O Predador” tem seu charme e o que é necessário para uma franquia de ação. Agora está nas mãos do público decidir quão relevante o predador continua sendo para a cultura pop.

Ação/ficção científica. (The Predator, EUA, 2018, 107min.).

Direção: Shane Black.

Elenco: Boyd Holbrook, Trevante Rhodes, Jacob Tremblay, Olivia Munn, Sterling K. Brown, Thomas Jane, Alfie Allen.

Estreia quinta-feira (13)

Cotação: 3/5

 

 

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