Oswaldo Montenegro vem a Vitória para exibição do quarto filme da carreira

"A Chave do Vale Encantado" abusa do lúdico para fazer sutil crítica social

Publicado em 05/09/2018 às 19h59

Atualizado em 05/09/2018 às 20h37

Foto: Ian Ruas/Divulgação
Chapeuzinho Vermelho é uma das figuras desconstruídas pelo diretor, que aposta na amizade da menina com o famoso Lobo Mau em "A Chave do Vale Encantado"

O que sentiriam as figuras míticas se olhassem para o mundo em que vivemos? Este é o ponto de partida do longa “A Chave do Vale Encantado”, novo filme de Oswaldo Montenegro, exibido nesta quinta-feira, às 21h, no Teatro Carlos Gomes, durante uma das mostras competitivas do 25º Festival de Cinema de Vitória.

O filme é uma adaptação do livro “O Vale Encantado”, escrito por Montenegro na década de 1990, premiado e indicado pelo Ministério da Educação para as escolas.

Teoricamente infantil, o divertido (e emocionante) longa propõe uma desconstrução dos conhecidos personagens dos contos de fada, como Rapunzel, Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, Papai Noel, Pinóquio e outros. O Lobo Mau, por exemplo, se diverte com a Chapeuzinho e ajuda a vovó no trato do jardim.

A cada vez que uma criança do mundo real vai dormir, os personagens são escalados para entrar em seus sonhos e, a partir de então, interpretar aventuras do “lado de cá”. Quando o pequeno acorda, as figuras voltam ao cotidiano de fantasia.

“Acho legal olhar as coisas estabelecidas de uma maneira iconoclasta, mas ao mesmo tempo respeitando-as, porque nenhum ícone é ícone à toa”, explica Montenegro, em entrevista ao C2.

Desta maneira, mostrando diferenças entre a fantasia e o que vivemos de fato, a história ganha sutis contornos de crítica social, atingindo também o público adulto.

“Acho mesmo que é um filme infantil para adultos, ou um filme adulto com censura livre. O que posso dizer é que é uma fantasia que mistura humor, emoção e música”, tenta definir o diretor.

Foto: Ian Ruas/Divulgação
Oswaldo Montenegro em um dos locais das gravações

Muito mais do que apostar na imaginação, o longa faz questão de reforçar a importância do afeto e do entendimento como únicas chances, como faz questão de reforçar Montenegro, que marcará presença na sessão desta quarta-feira, em Vitória.

“Todos do Vale Encantado discordam, lutam por suas ideias, mas não há julgamento moral, nem perda de carinho. Isso não deixa de ser uma analogia ao momento em que vivemos. Não há como negar que o mundo é inferno e maravilha, mas a felicidade reside no afeto, no amor ao outro, e é disso que o filme fala”, conclui Oswaldo sobre o quarto filme da carreira.

A Chave do Vale Encantado

Fantasia. (Brasil, 2018. 89 minutos).

Direção: Oswaldo Montenegro.

Elenco: João Reis, Kamila Pistori, Rafael Canedo, Deto Montenegro e Madalena Salles.

Exibição nesta quinta (6), às 21h, no Teatro Carlos Gomes, em Vitória, com a presença do diretor. Entrada gratuita.

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