Crítica: "Aquaman" abraça o brega em divertida aventura

Com muita ação e ótimos momentos, "Aquaman" entrega o filme mais redondo e divertido do universo Warner/DC nos cinemas

Publicado em 14/12/2018 às 15h57

Atualizado em 14/12/2018 às 16h19

Aquaman e Mera em "Aquaman"
Foto:Warner/Divulgação
Aquaman e Mera em "Aquaman"

O universo Warner/DC nos cinemas tem um trunfo nas mangas: “Batman vs. Superman”. Não que o filme dirigido por Zack Snyder seja bom, pois passa longe disso – o argumento aqui é que eles puderam aprender com todos os erros do filme e melhorar a partir dali. Tudo bem que “Esquadrão Suicida” beira a atrocidade, mas “Liga da Justiça” e principalmente “Mulher-Maravilha” já indicavam outros rumos.

“Aquaman”, em cartaz no Estado, é a consolidação desses novos caminhos. O filme dirigido por James Wan se beneficia de não precisar apresentar seu protagonista e utiliza bem o tempo que seria gasto com isso.

O roteiro até apresenta momentos com Arthur Curry ainda criança, mas eles são breves. O início do filme se dedica mesmo é à introdução da rainha Atlanna (Nicole Kidman) e ao seu relacionamento com um humano, o que mudou os rumos do reino de Atlântida.

Quando reencontramos Arthur adulto, já o Aquaman vivido por Jason Momoa ao qual havíamos sido apresentados em “Liga da Justiça”, o vemos atuando como um misterioso protetor dos mares. O chamado pelo heroísmo – e para unificar os sete reinos submarinos – vem quando Mera (Amber Heard) surge das águas e anuncia: uma guerra está por vir.

CORES E MAIS CORES

Ao contrário dos outros filmes do universo DC nos cinemas, “Aquaman” é vivo e colorido. Uma comparação mais justa seria colocá-lo lado a lado a “Pantera Negra”, da rival Marvel, uma vez que Atlântida se assemelha a Wakanda em diversos aspectos: uma nação escondida, altamente tecnológica, mas na qual alguns líderes acham que um confronto com o resto do mundo é a solução.

O filme de James Wan ainda traz cenas de ação debaixo de sol (como toda a sequência na Sicília), uma raridade em filmes do gênero – ambientações mais escuras e com chuva, um fetiche da DC, ajudam a esconder o excesso de computação. Não que os efeitos de computador não sejam um problema aqui, eles são, mas o exagero é no mínimo compreensível em um filme que passa a maior parte do tempo no fundo do mar.

“Aquaman” se destaca no design de produção, com ótimas criaturas, cada uma com sua particularidade, e na coragem de se assumir brega.

Arraia Negra em "Aquaman"
Foto:Warner
Arraia Negra em "Aquaman"

Merece destaque também o roteiro baseado na HQ de Geoff Johns. O texto traz uma pegada aventuresca que aproxima o filme de Wan de produções oitentistas como “Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida” (1989) e “Tudo Por Uma Esmeralda” (1984).

Ao contrário do que acontece em “Mulher-Maravilha”, por exemplo, “Aquaman” não deixa o ritmo cair último ato entregando, assim, o encerramento grandioso com o qual o filme flerta o tempo todo.

Apesar de todos os predicados, “Aquaman” tem problemas pontuais . O humor ainda é artificial e a variação de tom incomoda – em um momento estamos acompanhando a trama “shakespeariana” (destaque às aspas) e no momento seguinte Jason Momoa parece “emburrecer” apenas para fazer graça.

Ainda assim, as excelentes cenas de luta, tanto individuais quanto em grupo, e o roteiro que amarra bem até um próximo filme fazem de “Aquaman” o filme que deveria dar o tom do universo DC: é divertido o suficiente para conquistar novos fãs e ridiculamente interessante para os mais crescidos.

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